quarta-feira, 20 de setembro de 2017

BON JOVI - PORTO ALEGRE, 19 DE SETEMBRO DE 2017

Foto: BJA
Por Márcio Grings

Impossível não afirmar que o Bon Jovi sobreviveu ao teste do tempo. Por mais que suas músicas não estejam vinculadas a nenhum movimento revolucionário do rock, a obra do grupo continua tocando nas rádios e tocando os corações dos fãs. Você pode não ter um único disco do grupo na sua coleção, no entanto, certamente sabe cantar o refrão de algum de seus hits. 35 anos de atividade, 13 álbuns de estúdio e mais de 130 milhões de álbuns vendidos, números que definem a importância do Bon Jovi. E após passar por Chile e Argentina, com cerca de 40 mil pessoas lotando o Estádio Beira-Rio em Porto Alegre, o “This House Is Not For Sale Tour 2017” começou a etapa brasileira da turnê sul-americana nesta terça-feira (19). Depois da Capital gaúcha, a banda ainda é headliner no Rock in Rio (22) e no São Paulo Trip (23). 

Em frente ao palco durante a apresentação do The Kills, banda de abertura da noite. Foto: Ton Muller
Início de noite em Porto Alegre, antes da atração principal, chance de ver por aqui o The Kills, duo formado em Los Angeles pelo guitarrista Jamie Hince e pela cantora Alison Mosshart. Engraçado perceber o estado de consternação de parte do público batendo cabeça e não entendendo (ou não fazendo o mínimo esforço para curtir) um dos bons nomes do indie-rock atual. O Kills se apresentou como se estivesse frente a sua plateia (ou confrontando-a). Quem não parou para ver, perdeu. A impressão é que eles se divertiram. 

Foto: BJA


21h20, 10 minutos antes do horário previsto, a boa música que dá nome ao tour e que batiza o último álbum abre o espetáculo. No palco Jon Bon Jovi (voz, violão e guitarra), David Bryan (teclados e voz de apoio), Hugh McDonald (baixo e voz de apoio) e Tico Torres (bateria). Algumas viúvas de Richie Sambora, guitarrista/compositor do grupo sacado do time em 2011, devido à reincidência com alcoolismo e problemas extra palco, ainda torcem o nariz para seu substituto, o canadense Phil X (guitarra e voz de apoio). Mas certamente a grande maioria nem se importa. Todos os olhos para a maior estrela no palco. Ainda atuam os músicos John Shanks (Joe Cocker, Sheryl Crow), na guitarra e voz de apoio (ele que também produziu o último álbum), além de Everett Bradley (Cyndi Lauper, Bruce Springsteen), homem da percussão e backings.

Veja vídeo com retrospecto de vários momentos do show. Por Ton Muller

Ao olhar para o público antes do espetáculo - e durante decorrer do evento - tenho a impressão que há uma proporção de sete mulheres para cada dez pagantes, invasão de camisetas e bandanas do Bon Jovi e predominância do espirito feminino e muitos (eu disse MUITOS!) gritos das fãs (nunca ouvi tantos num show de rock). Basta um sorriso da figura simpática no centro do palco... E milhares de gritos de multiplicam! Dá pra dizer que poucas vezes assisti ao vivo um show com tamanha interação entre banda/artista e público em 2h45 de espetáculo.  

Foto: BJA
Quando o grupo coloca na pauta grandes sucessos como “Raise Your Hands”, “You Give Love a Bad Name”, “Born to Be My Baby” e “Bed of Roses” celulares brilham e  milhares de vozes ecoam no Beira-Rio. Para delírio dos fãs, em "Bad Medicine" Jon interage tête-a-tête com a plateia em frente ao palco (veja vídeo no final desta postagem). Já quando a banda sai do trilho e apresenta novas canções ou temas menos conhecidos como “Roller Coaster “ ou faixas menores como “Blood on Blood” (uma tentativa de soar como Bruce Springsteen), oportunidade de comprar um lanche, recalibrar o copo ou dar uma cruzada pelo banheiro. Quanto aos melhores momentos, nada supera o ápice catártico de “It’s My Life”, um dos temas mais populares da banda e número perfeito para grandes arenas.  E o que falar da despedida com “Livin' on a Prayer”? Bonito de ver as luzes colorindo a multidão e o refrão cantado em uníssono. Certamente um show que será lembrado pelo fãs como um momento único.

No meu caso, já que na próxima semana estamos no mesmo território do próximo grande evento em PoA, a primeira lembrança ao sair do estádio não poderia ser outra: “que venha o Who!”. Outro show histórico se aproxima. E esse deve atingir meu coração em cheio.  

Confira o setlist completo:

Bon Jovi - Beira-Rio

This House Is Not for Sale
Raise Your Hands
Knockout
You Give Love a Bad Name
Born to Be My Baby
Lost Highway
Because we can
I'll Sleep When I'm Dead
Runaway
We got it going on
Someday I'll Be Saturday Night (versão acústica)
Bed of Roses
It's My Life
Who Says You Can't Go Home
Rollercoaster
Wanted Dead or Alive
Lay Your Hands on Me
Have a Nice Day
Keep the faith
Bad Medicine

Bis

In These Arms 
Blood on Blood
Living on a Prayer

E abaixo, veja o momento em que o cantor desceu até o público e fez a alegria dos fãs da primeira fileira (registro @andre_sma).


Veja mais fotos do evento pelo fotógrafo Ton Muller.

Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller


Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller


Foto: Ton Muller

Foto: Ton Muller


Foto: Ton Muller


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

THE CULT - PORTO ALEGRE, 17 DE SETEMBRO DE 2017

Foto: Rafael Cony

“Mr. Tambourine Man”, lendária canção de Bob Dylan gravada na primeira metade dos anos 1960, foi uma música que sobrevoou os meus pensamentos na noite deste domingo, 17 de setembro, dia de show do Cult em Porto Alegre. Não, o grupo não tocou o tema do bardo norte-americano, inclusive desconheço se alguma vez a faixa foi executada pela banda (é provável que não, não há conexão alguma com o repertório), e até mesmo na noite em questão, nenhum fragmento de seus acordes foi articulado pelas guitarras. “Oh, cara do pandeiro! Toca um som pra mim! Estou sem sono e esse é o único lugar da city onde eu poderia estar”. Sim, estávamos no lugar certo: Bar Opinião, Capital gaúcha, noite de ver Ian Astbury e seus companheiros pela segunda vez no RS. No entanto, senhoras e senhores, o cara do pandeiro estava a fim de fazer barulho!

A pandeirola ou meia lua, semicírculo de plástico maciço (ou material similar) com pares de penduricalhos de metal, é um instrumento musical de percussão, espécie de primo próximo do pandeiro. Volto a “Mr. Tambourine Man” pelo fato de que Astbury, líder do Cult e um dos grandes vocalistas do rock surgidos nos anos 1980, deu aula de como fazer malabarismos com uma pandeirola, e o mais importante: mostrou que ainda sabe se colocar no papel de 'encantador de serpentes' e de um grande performer de rock.

Foto: Rafael Cony
Na formação atual, além de Astbury,  outro remanescente da linhagem original é o baixinho Bily Duffy (guitarra). Completa o grupo Grant Fitizpatrick (baixo) e John Tempesta (bateria), além de Damon Fox (teclados, voz de apoio e guitarra base), músico que acompanha o Cult durante os tours. Opinião lotado, “Wild Flower”, um dos números de mágica favorito do grupo, abre a noite com ares de celebração. O setlist ordena a nata do Cult, pois mais da metade do show é alicerçado por apenas dois álbuns fantásticos: “Love” (1985) e “Electric” (1987), ou seja – só correr pra torcida, gol de placa. Temas como “Rain”, Peace Dog”, Lil’ Devil” e “King Contrary Man” deixam o Opinião em ponto de bala. Do novo disco, o bom “Hidden City”, lançado em 2016, a primeira a surgir é “Dark Energy”, riff quebrado que nos reconecta aos pós-punk. Já “Birds of Paradise” carrega o DNA do Cult, minha faixa favorita de "Hidden City", uma oração gótico/apocalíptica para adentrar a escuridão dos dias atuais, com direito a breve homenagem a Chris Cornell.  

Foto: Rafael Cony
“Eu mudei meu nome, agora me chamo Eisenbahn", disse Astbury, arregaçando as mangas da jaqueta e ajustando os óculos escuros com um sorriso mefistofélico, anunciando que o aquecimento no camarim foi regado pela cerveja da referida marca. Ao ver os trejeitos do vocalista no palco, impossível não se lembrar da figura de Jim Morrison, até por que Ian parece não se importar com essa associação, tendo inclusive cantado ao lado de Ray Manzarek e Robby Krieger, isso numa remontagem no início dos anos 2000. Corroborando a esse cruzamento de personas, num dos breves intervalos entre as músicas, Duffy chega a arranhar o riff de "Love Me Two Times" do Doors, e também é preciso mencionar uma citação a "Bohemian Rapsody" do Queen em um dos diálogos com a plateia (Thunderbolt and lightning very very frightening me). 

Foto: Rafael Cony
Entre os melhores momentos da noite, dá-lhe coro da audiência em “Sweet Soul Sister” e “She Sells Sancturary”, além do encerramento avassalador com “Love Removal Machine”. Voltando ao xamã da noite, a pandeirola na mão de Ian Astbury pode ser espancada, arremessada ao público, chutada como se fosse uma bola de futebol, pressionada contra os quadris em autoflagelo, jogada ao chão e até mesmo tocada com maestria.  E o mais importante: a voz do vocalista do Cult continua irretocável.

Ao final, 1h25min de apresentação que pode ser definida como 'manual prático de como se fazer um show de rock'. Antes de sair de cena, Ian se estica na ponta do palco entre a multidão e presenteia uma garota sortuda com mais uma de suas pandeirolas. Assim, o homem do pandeiro e os seus deixam o palco, mas o encantamento permanece. "Hey! Mr. Tambourine man, play a song for me". Não foi apenas uma, foram 15 para ser mais exato. Confira o setlist completo:

The Cult - Setlist Opinião

Wild Flower
Rain
Dark Energy
Peace Dog
Lil' Devil
Nirvana
Birds of Paradise
Deeply Ordered Chaos
The Phoenix
Rise
Sweet Soul Sister
She Sells Sanctuary
Fire Woman

Bis

King Contrary Man
Love Removal Machine   

Foto: Rafael Cony

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

MR. BIG - PORTO ALEGRE, 22 DE AGOSTO DE 2017

Fotos: Ana Bittencourt
Texto Márcio Grings Fotos Ana Bittencourt

O Mr. Big é uma daquelas bandas que invariavelmente lanço um olhar carinhoso. Mesmo sem ser fã de carteirinha, ao longo de quase 30 anos em que esbarro nas canções do grupo tocando no rádio (por exemplo), aumentar o volume é uma consequência imediata. Assim como vários amigos que já tiveram a experiência de vê-los ao vivo sempre me alertavam o quão sensacional a banda se torna em frente ao público. Em sua terceira passagem pelo RS, a impressão que temos é que os músicos estão tocando em Los Angeles, no quintal de casa, tamanho o carinho que o quinteto encontra no palco do Opinião nesta terça-feira (22). É como se fosse um time jogando em frente à torcida  

Foto: Ana Bittencourt
Eric Martin (voz e violão), Paul Gilbert (guitarra e voz), Billy Sheehan (baixo, harmônica e voz) e Matt Starr (bateria e voz) começam a apresentação às 21h em ponto com “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, onde de cara percebemos que a dupla Gilbert/Sheehan poderia ‘jogar’ no Harlem Globetrotters, lendária equipe de basquetebol conhecida por fazer de suas partidas uma mistura de entretenimento e habilidades performáticas. E o malabarismo musical inclui ferramentas como até uma furadeira elétrica utilizada como assessório para os solos. Esse é um dos espíritos primordiais do espetáculo: os caras estão se divertindo, assim como esse clima festivo vaza fácil até a plateia. E tudo isso sem soar como algo egocêntrico ou chato, a apresentação do Mr. Big é pura demonstração do quão animado um show de rock pode ser.

Pat Torpey. Foto: Ana Bittencourt
No início do jogo, como atletas experientes que são, eles vão aquecendo os músculos aos poucos - é o que vemos em “American Beaty” e “Undertow”. A cesta de 3 pontos entra direto e sem bater no aro em “Alive and Kicking”, quando Pat Torpey, baterista da formação original, surge no palco e é ovacionado pela audiência. Há mais de três anos, Torpey luta contra o Mal de Parkinson, e mesmo impossibilitado fisicamente de executar os desenhos musicais que criou, ele ainda está nas fotos de divulgação e como percussionista na turnê. No novo álbum, “Defying Gravity”, Pat atua como produtor de bateria, além de continuar fazendo harmonias vocais que são importantíssimas para o som do grupo. Desde 2014, Matt Starr foi efetivado como baterista nos tours (e agora também de estúdio). E durante o show, mesmo que seja apenas em uma música, Pat Torpey retorna ao seu instrumento de origem na balada “Just Take My Heart”. Claro que foi emocionante vê-lo sorrindo no comando das baquetas.

Foto: Ana Bittencourt
“Take Cover” ganha o coro do público como se fosse um hino. E é!  “Green-Tinted Sixties Mind” é parte da matéria prima essencial para entender o som de Paul Gilbert, um guitarrista que nunca deixa de nos lembrar do quanto o rock pode ser picaresco. “Everybody Needs a Little Trouble”, single/videoclipe que foi um dos bois de piranha a anunciar o lançamento de “Defying Gravity” (novo álbum do grupo que acaba de ser lançado), parece uma velha canção pronta a figurar num Greatest Hits. “Price You Gotta Pay”, um hard blues que subverte a linhagem negra do gênero nascido às margens do Rio Mississippi conta ainda com o a gaita de boca endiabrada de Sheehan. No momento solo de Gilbert, os aficionados por arpejos e demonstrações de virtuosismo com a vibe de zoação do gutarrista, levantam os copos de cerveja e estimulam o músico a prosseguir seu show particular. Eu vou ao banheiro. Logo após, “Take a Walk”, uma das músicas que ajudaram a definir a massa corpórea do Mr. Big nos anos iniciais - retorna revitalizada e ainda mais pesada.

Eric Martin. Foto: Ana Bittencourt
“Wild Word”, hit absoluto de Cat Stevens, regravado pela banda no álbum “Bump Ahead” (1993), ganha o coro de 1.200 fãs. “Rock and Roll Over” e “Around the Word” mantém a bola picando até o solo de Billy Sheehan, um dos maiores monstros do contrabaixo em todos os tempos.  Se algum desavisado presente por acaso desconhecia isso, certamente lembrará para sempre dessa noite depois de assistir a performance do músico. “Addicted to That Rush” é puro exibicionismo e espírito festivo, com Gilbert e Sheehan atuando como dois espadachins pinoteando em frente as luzes. 

Billy Sheehan Foto: Ana Bittencourt
Na pausa programada antes do bis, a banda parece tão quente que resolve seguir adiante sem intervalo para desnecessárias trocas de figurino ou simples desculpa para simular uma falsa despedida. Sim, eles não arredaram pé do palco. É quando certa música, único número 1 do Mr. Big nas paradas de sucessos dos Estados Unidos é tocada sem aviso prévio. “To Be With You” pertence aquele naipe de canções encravadas no imaginário musical dos anos 1990, hit absoluto do grupo e marca do vocal de Eric Martin, um cantor que não perdeu potência e tessitura vocal com o passar dos anos, além de perfeitamente desempenhar o carismático papel de líder do quinteto. Em “Colorado Bulldog”, Sheehan mostra sua habilidade em simultaneamente tocar baixo e beber um gole de cerveja direto do gargalo. Já “1992”, segunda peça da noite de "Defying Gravity", música que relembra o ano de maior sucesso comercial do grupo, destaca o cruzamento das vozes dos cinco integrantes cantando o refrão em uníssono, ao melhor estilo Beach Boys.

Paul Gilbert. Foto: Ana Bittencourt
E como grand finale, e já antecipando um dos grandes shows que passarão pelo RS nos próximos dias, o Mr. Big desembainha sua versão de “Baba O’Riley”, um dos maiores sucessos do The Who, em releitura que coloca no rosto da multidão sorrisos de satisfação às 22h55, horário em que finda o espetáculo. Não canso de dizer: que grande lugar é o Bar Opinião para se assistir um show de rock! Grande/pequeno local em que presenciei ao vivo ídolos como Bob Dylan, Mark Farner (Grand Funk Railroad), entre outros, e templo musical onde tudo fica muito perto. E ver o Mr. Big ao vivo coloca outra marca significativa na minha memória afetiva. A realização do evento em Porto Alegre teve o protagonismo da Abstratti Produtora. Próxima quinta-feira (24), o grupo toca em Montevidéu, e depois segue o tour sul-americano Chile, Argentina, Peru e Colômbia.

***

Setlist Mr. Big Porto Alegre (22/8/17)


1. Daddy, Brother, Lover, Little Boy 

2. American Beauty

3. Undertow

4. Alive and Kickin'

5. Temperamental

6. Just Take My Heart

7. Take Cover

8. Green-Tinted Sixties Mind

9. Everybody Needs a Little Trouble

10. Price You Gotta Pay

11. Paul Gilbert Solo

12. Take a Walk

13.Wild World

14. Rock & Roll Over

15. Around the World

16. Billy Sheehan Solo

17. Addicted to That Rush

18. To Be With You

19. Colorado Bulldog

20. 1992

21. Baba O'Riley .

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt


Foto: Ana Bittencourt


Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt


Foto: Ana Bittencourt

Foto: Ana Bittencourt

quarta-feira, 5 de abril de 2017

ELTON JOHN - PORTO ALEGRE, 4 DE ABRIL DE 2017

Foto: Fabiano Dallmeyer

Depois de Ver o show de James Taylor, sua segunda vez com Elton John o deixa com sensação de ser um cara afortunado. Se em 4 de março de 2013, no Estádio do Zequinha em Porto Alegre, a noite já havia sido mágica com a “40th Anniversary of the Rocket Man Tour”, agora com a “Wonderful Crazy Night Tour”, nesse formato de Anfiteatro no Beira-Rio, as expectativas continuam altas. 

Das 21 músicas que Elton irá tocar na noite de hoje, dezoito passaram pelo setlist de 2013. Só que o set do Beira-Rio é ainda mais ligado aos anos 1970, pois dezessete músicas que você ouvirá essa noite foram compostas entre 1968 e 1975. Apenas três são dos anos 1980 e só uma canção do novo disco risca o boleto das escolhidas. 


Foto: Fabiano Dallmeyer
E a sequência inicial é a mesma do setist de três anos atrás, uma das dobradinhas mais matadoras de qualquer show de rock que conheço – “The Bitch is Back” e “Bennie and The Jets” são músicas feitas pra chacoalhar o esqueleto e levantar os copos de cerveja. Se em 2013 Elton trouxe um quarteto vocal feminino para os backings, dessa vez o apoio das vozes fica por conta de sua banda: John Maroon (percussão), Nigel Olson, com Elton desde 1969 (bateria) e David Johnstone, na banda desde 1971 (guitarra) e Matt Bissonette (baixo). Completa o quarteto o tecladista Kim Bullard. 

Elton John produziu muito material descartável e inegavelmente inferior ao seu quilate de compositor nos anos 1980, mas “I Guess That’s Why They Call It The Blues” é uma das melhores músicas desse período. Já “Daniel” tem a cara dos anos 1970, e é um libelo antibelicista de Bernie Taupin (compositor/letrista que trabalha com Elton desde o início de sua carreira). A música conta a história de um soldado que ao voltar da Guerra do Vietnã, busca o sossego em sua Terra Natal. O baterista Nigel Olson não para de sorrir enquanto toca e faz caretas para o percussionista John Maroon. 

David Johnstone; Foto: Fabiano Dallmeyer
“Someone Save My Life Tonight”, sua preferida de “Captain Fantastic”, é uma composição que poderia ter sido inscrito por Brian Wilsom. A letra foi inspirada num episódio real na vida de Elton, quando um amigo o aconselhou a romper seu casamento. O alvo era Linda Woodrow, noiva rejeitada do cantor: “Sentada como uma princesa empoleirada em sua cadeira elétrica”. Uma canção pop com uma carga poética absurda.  “Philadelphia Freedom” é outra das preferidas de Elton, e ao vivo 'Philly' sempre ganha uma energia especial. 

Então as luzes se apagam e apenas Elton e seu piano viram o centro das atenções num longo improviso que antecipa “Rocket Man”. Essa pérola brilhante é prima irmã de “Space Odity” de David Bowie. As duas tiveram o mesmo produtor, o mesmo toque infantil na letra, e a mesma utilização do espaço como alienação pessoal. Dois clássicos. A canção que você ouve agora o lembra de como a música pop pode chegar às alturas. 

Nigel Olson. Foto: Fabiano Dallmeyer
“Tiny Dancer” é hoje um hit absoluto até mesmo fora de seu público. Todos os louros a Cameron Crowe, diretor de “Quase Famosos” (2000), que pinçou essa canção esquecida do Greatest Hits de Elton e a colocou no seu devido lugar como parte do Monte Rushmore da música pop. É um daqueles momentos em que os malditos celulares povoam o panorama em frente ao palco. Tomando por partida “Madman Across The Water” (1971), disco de onde saiu “Tiny Dancer”, depois dela vem “Levon”, uma canção construída para grandes estádios, assim como “Venus and Mars” de Paul McCartney. Ela voltou à baila depois que Jon Bon Jovi fez sua versão em “Two Rooms" (1991), tributo em álbum duplo que celebra a parceria entre Elton e Taupin.  O telão no fundo do palco reproduz um céu repleto de estrelas cadentes, enquanto o som se transmuta num rock pesado de arena, com direito de solos e riffs de Johnstone. Um deles chega a resgatar “Day Tripper” dos Beatles.  

Matt Bissonette. Foto: Fabiano Dalmeyer
A lenda dos tijolos amarelos de Dorothy e o Mágico de Oz ganhou sobrevida com “Goodbye Yellow Brick Road”, uma das músicas pop mais belas de todos os tempos. Mesmo que a voz do cantor tenha se tornado mais grave com o passar dos anos, as partes mais agudas são resgatadas pela magia do sintetizador de Bullard, além dos vocais de apoio de Maroon, Olson, Johnstone e Bissonette.  

Se no show de 2013 você saiu antes de Elton John tocar “Your Song”, última música daquela apresentação, pois precisava pegar o táxi pra não perder o ônibus que o levaria de volta até o interior, dessa vez não precisou correr. Uma de suas canções preferidas do baixinho entrou no meio do set. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
“Burn Down the Mission” fecha um dos grandes álbuns esquecidos dos anos 1970, “Tumbleweed Connection”, e foi uma música importantíssima no início da carreira de Elton. Você também nunca se esquece daquela versão do álbum da capa preto-monocromática gravado ao vivo na rádio WABC – FM, em Nova Iorque. Ouvi-la ao vivo é um prêmio inesperado. E os improvisos da banda comem frouxo, numa clara coesão entre os integrantes que já tocam nessa formação a cerca de cinco anos.
    
“Sad Songs” talvez tenha sido uma das primeiras músicas de Elton que você conheceu. Puro FM dos anos 1980, na época parecia comum, hoje dá pra sacar que não se encontram mais canções como essa nas rádios. A encarnação atual ganha mais peso e improvisação. Elton entorta o piano..

O dueto entre Elton John e George Michael em “Don’t  Let The Sun Go Down on Me”, gravado no final de 1991, se tornou um dos maiores sucessos das rádios no ano seguinte. Além de reavivar uma das melhores faixas de “Caribou” (1973), o lucro do single foi totalmente revertido para 10 projetos de caridade britânicos. A música virou figura carimbada na MTV e agora você vê Michael ressurgir no telão frente aos seus olhos. Grande lembrança. 

Se em 2013 Elton homenageou o álbum "Madman Across de Water", dessa vez sua roupa paga tributo a "Captain Fantastic" (1975). Foto: Fabiano Dallmeyer 
“Skyline Pigeon” foi o primeiro fruto a germinar da parceria entre Elton e Bernie. A música continua com uma força absurda ao vivo. Se você estava reclamando que o show não lhe dava respiro, se não houve tempo para recalibrar o copo de cerveja ou tirar água do joelho, “Looking Up”, a única música do último álbum presente no set lhe dá a oportunidade para dar aquela circulada. Elton colabora um pouco mais e também toca a segunda faixa descartável da noite, e enquanto “I’m Still Standing” chega a metade, ao lado de sua namorada, você se joga no chão e dá uma esticada nos ossos.

Á maratona Taylor/John está chegando ao fim. Ainda deitado no tablado montado sobre o gramado do Beira-Rio. você acompanha pelo telão dois números de “Goodbye Yellow Brick Road” – “Your Sister Can't Twist (But She Can Rock 'n Roll)” e “Saturday Night's Alright for Fighting”, rocks perfeitos para dar números finais e um respiro nas baladas.

Elton se despede e apesar do cansaço, você ainda não acredita como o tempo passou tão rápido. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
“Candle in the Wind” pode ser pop pra caramba, mas é uma de suas músicas mais bonitas e conhecidas. Os malditos celulares retornam como velas, uma já tradicional alegoria a letra. Ele dedica 'Candle' a duas mulheres em épocas distintas: Marilyn Monroe e Princesa Diana. E a festa dos anos 1970 acaba como o rock do Crocodilo, e você tem a certeza de que noite está ganha quando sai cantando “Lá, lá, lá, lá, lá, lá!” - um coro de 24 mil vozes.  

A Grings - Tours, Produções e Eventos agradece ao suporte e apoio da Agência Cigana. 

Setlist:

“The Bitch Is Back”
“Bennie and the Jets”
“I Guess That’s Why They Call It the Blues”
“Daniel”
 “Someone Saved My Life Tonight”
“Philadelphia Freedom”
“Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)”
“Tiny Dancer”
“Levon”
 “Goodbye Yellow Brick Road”
 "Your Song”
“Burn Down the Mission”
“Sad Songs (Say So Much)”
“Skyline Pigeon”
“Don’t Let the Sun Go Down on Me”
“Looking Up”
 “I’m Still Standing”
“Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)”
“Saturday Night’s Alright for Fighting”

Bis

“Candle in the Wind”
“Crocodile Rock”

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

ÚLTIMA COBERTURA:

BON JOVI - PORTO ALEGRE, 19 DE SETEMBRO DE 2017

Foto: BJA Por Márcio Grings Impossível não afirmar que o Bon Jovi sobreviveu ao teste do tempo. Por mais que suas músicas não estejam...