quarta-feira, 5 de abril de 2017

ELTON JOHN - PORTO ALEGRE, 4 DE ABRIL DE 2017

Foto: Fabiano Dallmeyer

Depois de Ver o show de James Taylor, sua segunda vez com Elton John o deixa com sensação de ser um cara afortunado. Se em 4 de março de 2013, no Estádio do Zequinha em Porto Alegre, a noite já havia sido mágica com a “40th Anniversary of the Rocket Man Tour”, agora com a “Wonderful Crazy Night Tour”, nesse formato de Anfiteatro no Beira-Rio, as expectativas continuam altas. 

Das 21 músicas que Elton irá tocar na noite de hoje, dezoito passaram pelo setlist de 2013. Só que o set do Beira-Rio é ainda mais ligado aos anos 1970, pois dezessete músicas que você ouvirá essa noite foram compostas entre 1968 e 1975. Apenas três são dos anos 1980 e só uma canção do novo disco risca o boleto das escolhidas. 


Foto: Fabiano Dallmeyer
E a sequência inicial é a mesma do setist de três anos atrás, uma das dobradinhas mais matadoras de qualquer show de rock que conheço – “The Bitch is Back” e “Bennie and The Jets” são músicas feitas pra chacoalhar o esqueleto e levantar os copos de cerveja. Se em 2013 Elton trouxe um quarteto vocal feminino para os backings, dessa vez o apoio das vozes fica por conta de sua banda: John Maroon (percussão), Nigel Olson, com Elton desde 1969 (bateria) e David Johnstone, na banda desde 1971 (guitarra) e Matt Bissonette (baixo). Completa o quarteto o tecladista Kim Bullard. 

Elton John produziu muito material descartável e inegavelmente inferior ao seu quilate de compositor nos anos 1980, mas “I Guess That’s Why They Call It The Blues” é uma das melhores músicas desse período. Já “Daniel” tem a cara dos anos 1970, e é um libelo antibelicista de Bernie Taupin (compositor/letrista que trabalha com Elton desde o início de sua carreira). A música conta a história de um soldado que ao voltar da Guerra do Vietnã, busca o sossego em sua Terra Natal. O baterista Nigel Olson não para de sorrir enquanto toca e faz caretas para o percussionista John Maroon. 

David Johnstone; Foto: Fabiano Dallmeyer
“Someone Save My Life Tonight”, sua preferida de “Captain Fantastic”, é uma composição que poderia ter sido inscrito por Brian Wilsom. A letra foi inspirada num episódio real na vida de Elton, quando um amigo o aconselhou a romper seu casamento. O alvo era Linda Woodrow, noiva rejeitada do cantor: “Sentada como uma princesa empoleirada em sua cadeira elétrica”. Uma canção pop com uma carga poética absurda.  “Philadelphia Freedom” é outra das preferidas de Elton, e ao vivo 'Philly' sempre ganha uma energia especial. 

Então as luzes se apagam e apenas Elton e seu piano viram o centro das atenções num longo improviso que antecipa “Rocket Man”. Essa pérola brilhante é prima irmã de “Space Odity” de David Bowie. As duas tiveram o mesmo produtor, o mesmo toque infantil na letra, e a mesma utilização do espaço como alienação pessoal. Dois clássicos. A canção que você ouve agora o lembra de como a música pop pode chegar às alturas. 

Nigel Olson. Foto: Fabiano Dallmeyer
“Tiny Dancer” é hoje um hit absoluto até mesmo fora de seu público. Todos os louros a Cameron Crowe, diretor de “Quase Famosos” (2000), que pinçou essa canção esquecida do Greatest Hits de Elton e a colocou no seu devido lugar como parte do Monte Rushmore da música pop. É um daqueles momentos em que os malditos celulares povoam o panorama em frente ao palco. Tomando por partida “Madman Across The Water” (1971), disco de onde saiu “Tiny Dancer”, depois dela vem “Levon”, uma canção construída para grandes estádios, assim como “Venus and Mars” de Paul McCartney. Ela voltou à baila depois que Jon Bon Jovi fez sua versão em “Two Rooms" (1991), tributo em álbum duplo que celebra a parceria entre Elton e Taupin.  O telão no fundo do palco reproduz um céu repleto de estrelas cadentes, enquanto o som se transmuta num rock pesado de arena, com direito de solos e riffs de Johnstone. Um deles chega a resgatar “Day Tripper” dos Beatles.  

Matt Bissonette. Foto: Fabiano Dalmeyer
A lenda dos tijolos amarelos de Dorothy e o Mágico de Oz ganhou sobrevida com “Goodbye Yellow Brick Road”, uma das músicas pop mais belas de todos os tempos. Mesmo que a voz do cantor tenha se tornado mais grave com o passar dos anos, as partes mais agudas são resgatadas pela magia do sintetizador de Bullard, além dos vocais de apoio de Maroon, Olson, Johnstone e Bissonette.  

Se no show de 2013 você saiu antes de Elton John tocar “Your Song”, última música daquela apresentação, pois precisava pegar o táxi pra não perder o ônibus que o levaria de volta até o interior, dessa vez não precisou correr. Uma de suas canções preferidas do baixinho entrou no meio do set. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
“Burn Down the Mission” fecha um dos grandes álbuns esquecidos dos anos 1970, “Tumbleweed Connection”, e foi uma música importantíssima no início da carreira de Elton. Você também nunca se esquece daquela versão do álbum da capa preto-monocromática gravado ao vivo na rádio WABC – FM, em Nova Iorque. Ouvi-la ao vivo é um prêmio inesperado. E os improvisos da banda comem frouxo, numa clara coesão entre os integrantes que já tocam nessa formação a cerca de cinco anos.
    
“Sad Songs” talvez tenha sido uma das primeiras músicas de Elton que você conheceu. Puro FM dos anos 1980, na época parecia comum, hoje dá pra sacar que não se encontram mais canções como essa nas rádios. A encarnação atual ganha mais peso e improvisação. Elton entorta o piano..

O dueto entre Elton John e George Michael em “Don’t  Let The Sun Go Down on Me”, gravado no final de 1991, se tornou um dos maiores sucessos das rádios no ano seguinte. Além de reavivar uma das melhores faixas de “Caribou” (1973), o lucro do single foi totalmente revertido para 10 projetos de caridade britânicos. A música virou figura carimbada na MTV e agora você vê Michael ressurgir no telão frente aos seus olhos. Grande lembrança. 

Se em 2013 Elton homenageou o álbum "Madman Across de Water", dessa vez sua roupa paga tributo a "Captain Fantastic" (1975). Foto: Fabiano Dallmeyer 
“Skyline Pigeon” foi o primeiro fruto a germinar da parceria entre Elton e Bernie. A música continua com uma força absurda ao vivo. Se você estava reclamando que o show não lhe dava respiro, se não houve tempo para recalibrar o copo de cerveja ou tirar água do joelho, “Looking Up”, a única música do último álbum presente no set lhe dá a oportunidade para dar aquela circulada. Elton colabora um pouco mais e também toca a segunda faixa descartável da noite, e enquanto “I’m Still Standing” chega a metade, ao lado de sua namorada, você se joga no chão e dá uma esticada nos ossos.

Á maratona Taylor/John está chegando ao fim. Ainda deitado no tablado montado sobre o gramado do Beira-Rio. você acompanha pelo telão dois números de “Goodbye Yellow Brick Road” – “Your Sister Can't Twist (But She Can Rock 'n Roll)” e “Saturday Night's Alright for Fighting”, rocks perfeitos para dar números finais e um respiro nas baladas.

Elton se despede e apesar do cansaço, você ainda não acredita como o tempo passou tão rápido. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
“Candle in the Wind” pode ser pop pra caramba, mas é uma de suas músicas mais bonitas e conhecidas. Os malditos celulares retornam como velas, uma já tradicional alegoria a letra. Ele dedica 'Candle' a duas mulheres em épocas distintas: Marilyn Monroe e Princesa Diana. E a festa dos anos 1970 acaba como o rock do Crocodilo, e você tem a certeza de que noite está ganha quando sai cantando “Lá, lá, lá, lá, lá, lá!” - um coro de 24 mil vozes.  

A Grings - Tours, Produções e Eventos agradece ao suporte e apoio da Agência Cigana. 

Setlist:

“The Bitch Is Back”
“Bennie and the Jets”
“I Guess That’s Why They Call It the Blues”
“Daniel”
 “Someone Saved My Life Tonight”
“Philadelphia Freedom”
“Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)”
“Tiny Dancer”
“Levon”
 “Goodbye Yellow Brick Road”
 "Your Song”
“Burn Down the Mission”
“Sad Songs (Say So Much)”
“Skyline Pigeon”
“Don’t Let the Sun Go Down on Me”
“Looking Up”
 “I’m Still Standing”
“Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)”
“Saturday Night’s Alright for Fighting”

Bis

“Candle in the Wind”
“Crocodile Rock”

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

Foto: Fabiano Dallmeyer

JAMES TAYLOR - PORTO ALEGRE, 4 DE ABRIL DE 2017

Foto: Fabiano Dallmeyer

Lembro-me da primeira vez que li “Botar pra quebrar”, poema de Sam Shepard que enaltecia o rock teoricamente mais enérgico e colocava pra baixo o som ‘soft’. “Foda-se James Taylor e todos esses compositores açucarados baladeiros”, tá página 62 de “A Lua do Falcão” (L&PM – 1990). Não é fácil estar eternamente vinculado como um artista ligado apenas ao romantismo e ao viés agridoce do pop. Isso tem um fundo de razão, pois sabemos que o músico norte-americano de 69 anos é um dos grandes nomes do que foi descrito inicialmente pelos críticos como sweet folk, um subgênero enraizado a uma sonoridade mais acústica com conexões na música country e no gospel. Mas sua obra é muito mais ampla. Para perceber outras incursões, basta ouvirmos alguns dos álbuns de Taylor compreendidos num amplo espaçamento de tempo, assim você irá perceber que o trânsito de suas composições vai muito além de qualquer rotulação. Bom, caso você tenha assistido ao show passou por Porto Alegre nesta terça-feira (4)... Esse equívoco pôde ser reparado.  

Às 19h50, James Taylor e banda sobem ao palco montado no Beira-Rio em forma de Anfiteatro (um dos meus modelos e lugares favoritos para ver grandes espetáculos na Capital gaúcha). Naquele momento, em torno de 20 mil pessoas ouvem o pontapé inicial com “Wandering”, uma das músicas/letras que definem suas ambições poético/musicais. Pelos shows anteriores em Curitiba e Rio, já ficamos sabendo que Jaiminho fraturou o dedo, e assim, de forma inédita em sua carreira, se apresenta sem violão. 

"Hoje não vou poder tocar violão porque quebrei meu dedo. Merda! Mas tenho aqui Dean Parks", disse JT no início do show. Foto: Fabiano Dallmeyer
Se o anticlímax inicial nos dá uma ducha gelada, o protagonista quebra o gelo ao conversar muitas vezes num português completamente inteligível. Olhando para seu caderninho de anotações, ele diz "Estou muito feliz de estar de volta ao Brasil. Mas hoje não vou poder tocar violão porque quebrei meu dedo. Merda! Mas tenho aqui Dean Parks", finalizou o papo inicial ao apontar para músico que já deixou sua marca em álbuns dos The Monkees, Elton John e BB King. "Ele é um mestre do violão. Essa noite ele será eu". E a banda de James, aliado ao seu generosismo com os músicos e a reinvenção forçada como crooner, sentado num banquinho no centro do palco, são destaques do show. Em tempo: - um dos melhores e mais cristalinos sons de palco que já senti bem de perto nos últimos anos. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
Toda essa massa musical fica grandiosa em “Everyday”, uma balada de Buddy Holly que virou marca registrada em suas apresentações, sendo que a mesma sensação também me ocorre em “Walking Man”, uma típica canção de reconhecimento no território de Taylor. “Today, Today, Today”, único número de “Before This World” (2015), seu último disco de inéditas, é tingido pelo country. Coloque na conta do violino de Andrea Zonn e na harmônica caipira do cantor. 

Segundo meu amigo Ninu Ilha (integrante da banda de blues gaúcha Lenha Seca), tudo poderia ser resumido em apenas um nome para justificar a viagem de Santa Maria a Porto Alegre: Steve Gadd. O baterista também fez fama como músico de Eric Clapton, Simon & Garfunkel, Joe Cocker, Steely Dan (é dele o solo em ‘Aja’, uma das mais notáveis peças do grupo), entre tantos outros. “Não estou indo aos shows de Elton John e James Taylor, vou pra ver o meu ídolo, Steve Gadd”, disse. 

Luis Conté, Taylor e a lenda Steve Gadd. Foto: Fabiano Dallmeyer 
E “Country Road” mostra o quanto Gadd sabe se subjugar a moldura de uma canção sem perder a veia dilatada de baterista hiperativo. Olhar para ele, perceber a técnica (muitas vezes) com quatro vassourinhas nas mãos, a orquestrada categoria e a forma como manuseia suas ferramentas de trabalho - o transforma sempre num show parte. E Ninu estava lá, bem na frente do palco, olhos fixos no baterista em busca de lampejos da magia desse feiticeiro das peles. 

James Taylor e sua All-Star Band. Foto: Fabiano Dallmeyer
“Don’t Let Be Lonely Tonight” é uma das preferidas do repertório composto por Taylor na primeira metade dos anos 1970. É quando percebe-se a riqueza musical do guitarrista Mike Landau (Michael Jackson, Joni Mitchell, Miles Davis), um mestre na sutileza e escolha do acorde certeiro. E o solo ainda tem o talento do sax de Lou Marini, integrante por sete anos da Saturday Night Live Band, banda do programa de TV homônimo, e lendário por sua participação no filme “Os Irmão Cara-de- Pau”. Muitas vezes, a dancinha particular do músico me extrai um sorriso distraído.    

“Only a Dream in Rio” é um tributo de James Taylor a cidade que o acolheu em um dos momentos mais difíceis de sua vida. A letra diz: “Eu estava lá naquele dia / E meu coração voltou à vida”. Sempre achei a parte em português desse tema com a cara das canções de Milton Nascimento: “Quando a nossa mãe acordar / Andaremos ao sol / Quando a nossa mãe acordar / Cantará pelo sertão / Quando nossa mãe acordar / Todos os filhos saberão / E regozijarão”. É de arrepiar! Na época com 36 anos, o músico vivia um longo problema com o uso de drogas e morava recluso em uma fazenda. O último LP, lançado em 1981, foi um fracasso comercial. Não bastasse a derrocada profissional, o cantor ainda enfrentava o recente divórcio da cantora Carly Simon. O convite para tocar no Rock in Rio acabou por simbolizar seu renascimento artístico. Após a participação do músico no festival, ele conseguiu se libertar da dependência química e mantém uma carreira estável até hoje. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
“Carolina on my Mind” é uma música que fala sobre a saudade de casa. Destaque para os vocais de apoio de Arnold McCuller (Phil Collins, Bonnie Rait, Beck), Kate Markowitz (Graham Nash, Waren Zevon), além da violinista (e também cantora) Andreia Zonn (Alisson Krauss, Keb’ Mo’).  Com acentos jazzistas, “First Day in May” é uma música que amplia a paixão do músico pela música brasileira. Novidade no set até aqui (depois das apresentações em Curitiba e Rio), “Handy Man” foi um dos hits de Taylor no país. Parte disso de deve ao tema fazer parte do LP do primeiro Rock in Rio. Assim como em “Everyday” de Buddy Holly, “Handy Man” é uma música que fez sucesso décadas antes, no caso com Del Shannon nos anos 1960. Só que a versão de Taylor (que deu a ele seu primeiro Grammy por  Best Male Pop Vocal Performance) desconstrói o esqueleto de rock juvenil e a transforma numa canção country madura, com a marca da sua interpretação. Uma delícia vê-la/ouvi-la ao vivo. 

Jimmy Johnson, Walt Fowler, Lou Marini e Mike Landau. Foto: Fabiano Dallmeyer
“Your Smiling Face” tem a cara do soft rock. O baixista Jimmy Johnson (Roger Waters, Ray Charles, Stan Getz) fica no centro do palco buscando uma troca de olhares com Steve Gadd que está perdido em seu mundo particular.  “You’ve Got a Friend”, música de Carole King, até hoje é a presença mais obrigatória em seus shows. Uma das canções sobre amor/amizade mais bonitas de todos os tempos, hit universal e uma de suas interpretações mais conhecidas. Prova disso é que o publico pontua sua presença no coro.

É também quando Taylor apresenta ao público sua esposa, Caroline Smedvig, que contribui com vocais de apoio a partir desse momento da apresentação. “Shower The People” é outra de suas canções românticas matadoras. Arnold McCuller mostra toda sua potência e a tradição vocal da música negra na parte final do tema. O publico o ovaciona. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
Assim como Neil Young fala em "The Needle and the Damage Done”, relatando umas das tragédias que o vício em heroína podem ocasionar em qualquer um de nós, em “Fire & Rain” James Taylor apresenta sua versão da história sobre o desfortúnio no abuso das drogas. Se a música de Young homenageia Danny Whithen, guitarrista do Crazy Horse que morreu de overdose, Taylor paga tributo a amiga de infância Suzanne Schnerr, que se suicidou.  Impecável execução. 

“Steamroller” é o blues da vida de James Taylor. Tão bom que até Elvis o gravou no famoso concerto no Hawai em 1973. E esse é o momento em que nosso herói da noite levanta o dedo médio e manda Sam Shepard para aquele lugar! O solo de gaita, a interação com a banda, a dinâmica entre os vais e vens com o qual cada instrumento se sobressai. Tudo funciona! Um manual prático de como montar um blues arrasa quarteirão. É também o raro momento em que o pianista Jim Cox (BB King, Aerosmith, Elton John) abandona a sutiliza do piano para mostrar toda a ferocidade de um órgão Hammond. 

Foto: Fabiano Dallmeyer
“Mexico” é uma das minhas preferidas desde sempre. Latinidad no trompete de Walt Fowler (Frank Zappa) em dueto com o sax de Marini, e momento solo do percussionista cubano Luis Conté (Madonna, Pet Metheny). Recreio musical no Beira-Rio. “How Sweet It Is To Be Loves by You)" é uma das músicas alto-astral de sua discografia que estão no meu hall de favoritas, tema com estampa de sábado à tarde ensolarado.

E encerrando os trabalhos no bis, após cerca de 1h e meia de espetáculo, em clima ecumênico - “Shed a Little Light” é um bonito apagar das luzes do show de James Taylor & his All-Star Band, ao estilo das canções gospel que sempre foram um dos mananciais aonde o músico norte-americano buscou inspiração. Sim, mesmo com o dedo quebrado (me perdoe Sam Shepard), James Taylor 'botou pra quebrar' e ancorado pela sua banda fez um show impecável. Para isso, não precisamos de poses de guitar hero, mirabolâncias ou uma postura de estrela do rock. Bastam boas canções. E isso Taylor tem de sobra. “Maior aula de dinâmica que vi uma banda apresentar no palco. Um dos melhores times já reunidos dando suporte para um artista”, disse o jornalista Lúcio Brancatto. “Adorei ser surpreendido com a qualidade, interpretação e a verdade na música de Taylor”, completou.  

Verdade. Essa é a palavra que muitas vezes não vem à tona em uma apresentação. E a verdadeira música de James Taylor foi a grande vencedora da noite. E ainda tínhamos o show de Elton John pela frente...

A Grings - Tours, Produções e Eventos agradece ao suporte e apoio da Agência Cigana. 

Setlist

"Wandering"
"Everyday"
"Walking Man"
"Today, Today, Today”
“Country Road”
“Don’t Let Be Lonely Tonight”
“Only a Dream in Rio”
“Carolina on My Mind"
“First Day in May”
“Handy Man”
“Your Smiling Face”
“You’ve Got a Friend”
“Shower The People”
“Fire & Rain”
“Steamroller”
“Mexico”
“How Sweet It Is To Be Loves by You)"

Bis

“Shed a Little Light”

quarta-feira, 22 de março de 2017

ROGER HODGSON – PORTO ALEGRE, 21 DE MARÇO DE 2017

Fotos: Juliana Pozzatti
Texto Márcio Grings Fotos Juliana Pozzatti

UMA BREVE VIAGEM NO TEMPO –

Se você pudesse voltar ao final da década de 1980, seria muito provável que ao ligar o rádio, “You Make Me Love You”, faixa do segundo disco solo de Roger Hodgson tocasse em algum momento dessa recordação. O papo na segunda metade da década é que o Supertramp não é mais o mesmo após a saída de Roger; e que o som de Roger mudou depois de ter abandonado o Supertramp.

Confira o álbum de fotos de Juliana Pozzatti

Estamos em 9 de janeiro de 1988, acaba o Fantástico na TV e a Globo transmite alguns shows do Hollywood Rock, com a Praça da Apoteose apinhada de gente. O Supertramp faz o encerramento da última noite do evento. Você acompanha as imagens e percebe que algo está faltando... Veja aqui Poucos anos depois da ruptura entre os dois principais compositores do grupo, os fãs continuam a olhar para o passado recente. Na sua casa, a cerimônia principal ainda é colocar no toca-discos “Paris”, álbum ao vivo do Supertramp. E depois você apaga as luzes da sala. Lá Roger e Rick ainda estão juntos. E assim a viagem começa...

Saiba mais sobre "Paris" (1980) e veja o show completo aqui 

Fotos: Juliana Pozzatti
A VOZ DO SUPERTRAMP –

Voltando a 21 de março de 2017, assistir ao vivo o “Breakfast in America Tour 2017” é um momento único. Especial! Isso está muito claro pra você. Lembrando, Rick Davies ainda se recupera do tratamento de um câncer, e com isso o Supertramp está parado há cerca de dois anos. De todo o modo, mesmo fora da banda, são as canções de Roger Hodgson que dominam esse hemisfério ligado à memória afetiva do grupo. Por mais que houvesse um equilíbrio entre as composições da dupla (e essa era a grande jogada do Super Vagabundo), há algo inexplicável ligado às músicas que Roger compôs. A impressão é que a magia de suas canções permanece intacta.

Fotos: Juliana Pozzatti
AS CANÇÕES DE ROGER -

Depois de três anos e na sua quinta visita ao Brasil, Roger Hodgson atua no mesmo modus operandi de suas vindas anteriores. Desde 2004 o músico inglês mantém uma média de 40 shows por ano, e para nossa alegria, o que domina o set são as canções que compôs na época em que esteve no Supertramp, mais propriamente os temas de cinco álbuns: “Crime of Century” (1974), “Crisis? What Crisis?” (1975), “Even in The Quiestest Moments” (1977), “Breakfast in America” (1979) e “Famous Last Words” (1982), oito anos que tornaram o grupo uma das grandes pedras preciosas da música internacional. Após sair do time, lançou apenas três discos de estúdio: o ótimo “In The Eye of The Storm’’ de 1984, o razoável “Hai Hai” de 1987 e o bom “Open The Door” de 2011. 

E mesmo que nos selos dos LPs e encartes do Supertramp você leia que todos os temas são assinados por Hodgson/Davies (é o último quem detém a utilização do nome ‘Supertramp’), eles compunham individualmente, mas assinavam em dupla - assim como aconteceu com Lennon/McCartney, a mais famosa das duplas do gênero. Em suma, no “Breakfast in America Tour 2017”, Roger canta apenas as ‘suas músicas’. E que músicas!

Fotos: Juliana Pozzatti
O SHOW -

21h35, o protagonista da noite entra no palco vestido de branco, saudando a audiência com uma xícara de chá na mão direita, enquanto o público prontamente o recepciona com “Parabéns a Você! Na noite em que comemora 67 anos, Roger Hodgson agradece, calmamente senta em frente ao piano e brinca com as teclas até disparar a sequência de acordes iniciais de “Take a Long Way Home”. Uma música perfeita que reflete os dilemas de uma banda/artista na estrada. 

Antes de tocar o segundo número da noite, Roger conversa longamente com o público. É interrompido novamente por um novo “Parabéns a Você”. Diz que se apaixonou pelo Brasil desde sua primeira vinda em 2004. “Estou feliz em estar aqui”, fala em tropego português. E depois convoca a audiência a esquecer dos problemas do mundo lá fora e apenas curtir toda a intensidade do espetáculo. É quando o músico pega a guitarra e ouvimos “School” – clássico em que nos avisa que o esforço pela perda da inocência é inevitável, mas essa viagem rumo à vida adulta nos trará muita frustração. Não nesta noite... 

Fotos: Juliana Pozzatti
Entre os temas da carreira solo, duas de suas preferidas reaparecem em Porto Alegre: “In The Jeopardy” e “Lovers in The Wind”, esta última música ele inclusive dedica aos casais presentes no Pepsi On Stage.

O bolo de aniversário de Roger em Porto Alegre. Foto: Facebook Roger Hodgson
Um jumbo encurtando a distância entre a Inglaterra e os Estados Unidos, as groupies, o vazio do estrelato, “Breakfast in America”, uma canção aparentemente alegre com temática melancólica e chamuscada pelo clarinete dixieland, evoca lembranças ianques da Era do Jazz e das Terras do hedonismo do rock nos anos 1970. “Se tivesse conhecido o Brazil na época em que compus ‘Breakfast in America’, ela se chamaria ‘Breaksfast in Brazil’”, disse ao público.

Ancorado por um talentoso quarteto, no palco o músico canadense Aaron McDonald (saxofone, clarinete, harmônica, teclados, voz e outros instrumentos), além de três norte-americanos - Armen Chakamakian (teclados e voz) - e não Kevin Adamson, como você leu em algumas resenhas - David Carpenter (baixo e voz) e Brian Head (bateria). A atmosfera do quarteto pode ser facilmente percebida em “Hide in Your Shell”, uma letra que fala de como podemos (e devemos) ajudar nossos entes queridos a superarem momentos difíceis. E também é chance de conferir o lendário som do teclado Wurtlizer, e sua sonoridade muitas vezes confundida com a plástica do Supertramp. Por isso, Hodson a frente do ‘Wurly’ (forma carinhosa em que os músicos muitas vezes se referem ao instrumento) é uma das imagens carimbadas de uma banda que poucas vezes ancorou a guitarra ao seu protagonismo.  

Fotos: Juliana Pozzatti
“Easy Does It”, uma das mais belas letras de Roger Hodgson, é um dos temas do Supertramp que já apontavam para os caminhos de sua carreira solo. Novamente com o violão, o tema vem colado a “Sister Moonshine”, ainda na esteira de uma temática campestre e antiga.

Escrita em 1979, atualmente a letra de “Logical Song” pode ser relacionada à crueldade do julgamento das redes sociais aos expressarmos nossas opiniões. Alguém avisa: “Cuidado com o que você diz / ou eles o chamarão de radical, liberal, fanático, religioso”. E o juiz determina: “[Sim], você não vai assinar o seu nome / Gostaríamos de sentir se você é aceitável, respeitável, apresentável, [afinal, você precisar continuar sendo] um vegetal”. Um clássico que soa muito semelhante ao original, com o som batendo forte no peito. Essa é outra característica das músicas de Roger, elas permanecem relevantes. Antes do show, no táxi a caminho do Pepsi, a fotógrafa Juliana Pozzatti (autora das imagens dessa resenha) nos lembra que em uma de suas primeiras aulas de inglês, sua professora utilizava essa música para catequizar os rebentos locais. Outros tempos...

Fotos: Juliana Pozzatti
Com Roger saltando do Wurly para o piano negro localizado lateralmente ao cento do palco, “Lord It is Mine” sempre me soou como uma oração. Um homem cansado das velhacarias do mundo em busca de um refúgio, um abrigo só seu. É uma das músicas perdidas no repertório do Supertramp, não relacionada aos greatest hits da banda, vem sendo tocada permanentemente no setlist do tour sul-americano.  

Em um português terrível, Hodgson nos pergunta: “O que você faria se tivesse a opção de ser morto ou ficar confinado o restante da existência em um zoológico?” “Death and Zoo” é seu manifesto contra o aprisionamento de animais selvagens. É necessário lembrar que apesar das dificuldades em tentar falar a nossa língua, sempre muito simpático e tranquilo, Roger leva tudo na boa. O resultado disso é que ele tem o público sempre na mão em todos os momentos do show. 

Foto: Juliana Pozzatti
Quem será o último palhaço que colocará a casa abaixo? O tom premonitório de “If Everyone Was Lintening”, canção de 1974, parece antecipar a futura ruptura do Supertramp.

“Along Came Mary” soa como uma fábula medieval. É um dos trabalhos mais bonitos de sua carreira solo e o som do violão de 12 cordas, assim como a flauta doce, emulam um remonte folk, com acentos da tradição celta europeia. Tudo isso sublinhado pela letra que se assemelha as antiga lendas da Terra do Rei Arthur: “Mary, cabelos dourados e lábios de cereja / Fiquei surpreso quando ela roubou o meu trovão”. 

"Child in Vision", único momento da noite em que o tecladista Armen Chakamakian sai detrás do seu teclado e vai para o piano, revela o solo mais chamuscado de blues/jazz da apresentação. O quinteto de músicos o faz lembrar que a parte cantada desse tema parece apenas uma desculpa para potencializar o tour-de-force de três teclados produzindo uma camada sonora repleta de groove e balanço.    

Foto: Juliana Pozzatti
E eis que alguém da equipe de produção sobe ao palco com um bolo aniversário, e assim, novamente a festejo ganha ares de celebração entre amigos. Tão particular, que a banda preparou outra surpresa: uma inédita incursão no setlist surge quando “Birthday”, música do "White Album" dos Beatles é improvisada em tom de bagunça e reunião familiar.  
  
Se você buscar na memória, é provável que “Dreamer” tenha sido a primeira canção do Supertramp a ter lhe pegado de jeito. Ancorado no piano Wurlitzer (na gravação de estúdio há uma guitarra que desaparece nessa encarnação atual), sem dúvida, esse é um dos sons que ajudaram o Tramp a escalonar o topo do rock nos anos 1970. O público, de forma mais do que esperada, delira! 
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Foto (celular): Juliana Pozzatti
Roger Hodgson agradece novamente ao público, e anuncia a última canção. ”A história nos recorda o quão grandioso o outono pode ser”. Já que acabamos de entrar no outono gaúcho, essa é uma boa frase para começar uma composição. Dá pra dizer que “Fool’s Overture” é a música mais Floydiana e ligada ao rock progressivo de Roger (e também do Supertramp), e tema que ainda nos instiga a libertar o ‘santo-roqueiro-louco-viajante’ dentro de cada um de nós.  É o que você e os milhares que foram até o Pepsi On Stage fazem deliberadamente.

A banda se despede, as luzes se apagam, e após os apelos da audiência, Roger Hodson e seu quarteto estão de volta para um dos melhores momentos da noite. “Had a Dream (Sleeping With the Enemy)”, abre-alas do primeiro LP solo do músico, é um som com a cara da sua ex-banda e claramente evoca a sensação de liberdade após sua debandada do time. Roger, David Carpenter e Aaron McDonald cantam a música a três vozes. E numa noite em que o som da guitarra poucas vezes ganhou projeção, o ex-Supertramp faz os únicos três breves solos de guitarra da apresentação.

Foto: Juliana Pozzatti
Da eletricidade para o acústico, “Give a Little Bit” é uma das canções mais populares de Roger. Violão de 12 cordas na linha de frente e o coro de quase três mil pessoas. “E só o tempo cura a dor / E faz o sol nascer de novo”. Você e sua namorada colam na grade para ver “It’s Raining Again”, o último sucesso do Supertramp da era Roger Hodgson. É também a música perfeita para nos deixar com aquela sensação premonitória de que quando a vida nos dá uma rasteira, a mesma chuva que nos molha também nos renova. O personagem do clipe (que foi exaustivamente veiculado nos primeiros anos da MTV) simboliza essa ruptura com o passado, quando saudoso e sem um puto centavo no bolso, ele embarca num ônibus da Greyhound rumo ao futuro de seus dias. Essas são duas sensações que assistir o “Brekfast in America Tour 2017” deixa em seu coração: nostalgia e renovação. Sim, você fica nostálgico, mas não de uma forma ruim, pois esse banzo dos velhos tempos lhe conforta de uma maneira agradável. 

Contudo, o grande barato é estar de contrato renovado com seu íntimo, por isso, olha com reverência para o aniversariante do dia e agradece ao #superandarilho Roger Hodgson por ter deixado esse traço brilhante de luz que insiste em não arrefecer. Esse é um daqueles shows que não o deixa esquecer o quanto a música ainda é um dos grandes acontecimentos de nossas vidas.    

Juliana Pozzatti
Depois de Porto Alegre Roger Hodson ainda toca em Brasília (23), Belo Horizonte (25) e Rio de Janeiro (26). Dia 27 ele voa até a Califórnia e descansa por alguns dias. Sim , por que a nova (e longa turnê) na Europa já tem data para começar: 30 de abril, em Dublin, na Irlanda e acaba só em 11 de agosto, em Cambrils, na Espanha. 

Até a próxima, Roger.    

Confira o setlist:

01 “Take a Long Way Home”
02 “School”
03 “In The Jeopardy”
04 “Lovers in The Wind”
05 “Breakfast in America”
06 “Hide in Your Shell”
07 “Easy Does It”
08 “Sister Moonshine”
09 “Logical Song”
10 “Lord It is Mine”
11 “Death and Zoo”
12 “If Everyone Was Lintening”
13 “Along Came Mary”
14 "Child in Vision"
15 “Birthday”
16 “Dreamer”
17 “Fool’s Overture”

Bis
18 “Had a Dream (Sleeping With the Enemy)”
19 “Give a Little Bit”
20 “It’s Raining Again” 


Foto: Juliana Pozzatti



segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

JOE SATRIANI, PORTO ALEGRE, 11 DE DEZEMBRO DE 2016

Foto: Ana Bittencourt
Texto Márcio Grings Fotos Ana Bittencourt (exceto indicado)

Aos olhos de um leigo a pergunta é pertinente: qual a graça de ver um show de rock instrumental? O público que tomou conta do Auditório Araújo Vianna no último domingo (11), em Porto Alegre, dá sua resposta em uníssono: muita vibração e interação com Joe Satriani e banda. Nada de cantar refrões ou algo do gênero, até porque eles realmente não existem! O grande lance é sacar da caixa de ferramentas seu melhor desempenho de air guitar (a lá Joe Cocker) e curtir a onda. E os coros de "oh-ohh-ôsss" e os gritos de "hey" também valem. Importante não esquecer outro detalhe: o careca no palco é um dos maiores extra-terrestres do universo a empulhar uma guitarra. 

Satriani chega acompanhado do baterista alemão Marco Minnemann, ex-integrante da banda de Steve Vai; do baixista formado em Berkeley, Bryan Beller; além do veterano Mike Keneallly, multi-instrumentista que já trabalhou com Frank Zappa, e que na banda de Satriani é responsável pelos teclados, segunda guitarra e também assume papel de animador de torcida.

Foto: Ana Bittencourt
O atual tour é uma retrospectiva dos 30 anos de carreira de um dos maiores melodistas da guitarra (na verdade são 32 anos), e também embala o último álbum do músico, o ótimo “Schockwave Supernova”, lançado em 2015. Praticamente metade do show é composto por temas do disco mais recente e pelo cultuado “Surfing With The Alien”. A outra parte é formada por duas faixas de “Flying in a Blue Dream (1989), duas de “The Extremist” (1992), uma faixa de “Crystal Planet” (1998), “Is There Love in the Space (2004), “Super Colossal” (2006) e “Joe Satriani” (1995). E como de costume, além da habitual ‘fritação’ nos solos de guitarra, também há espaço para malabarismos dos instrumentistas que acompanham o guitarrista, entre eles, destaque para o solo de baixo de Bryan Beller, momento em que o músico apresenta um medley com clássicos do rock, entre eles temas do AC/DC, Deep Purple, Led Zeppelin e Jimi Hendrix. No solo de bateria vou buscar mais cerveja...

Foto: Ana Bittencourt
Entre os bons momentos da noite, “Cataclism”, música que cresce absurdamente ao vivo; o embalo manso e melódico de “Butterfly & Zebra”; o baião heavy “On Peregrine Wings”; além de temas de carteirinha como “Sacht Boogie”, “Summer Song”, e a balada melódico/instrumental “Always With Me, Always With You”.

Foto: Ana Bittencourt
Já no final, “Big Bad Moon”, único número cantado da noite, emerge como um blues potencializado a máxima potência, com direito a solo de harmônica incorporando o espírito de uma guitarra endiabrada. E o grand finale não poderia deixar de ser com a emblemática “Surfing With the Alien”. 

No telão, as imagens do Surfista Prateado me deixam com a impressão de que, no palco, a figura de Satriani parece ter incorporado à imagem do herói da Marvel. Também me surge à lembrança do quanto à obra do Herói da guitarra transcende o rock instrumental para nos remontar a memória afetiva de que a arte muitas vezes ainda nos surpreende. 

Assistir Joe Satriani ao vivo é como embarcar numa nave espacial que se desloca velozmente pelo tempo/espaço. E como passageiro desse foguete, eu procuro meu lugar junto à janela. Assim como um coroa que ao final do espetáculo, após todas as luzes se acenderem, continuava a tocar sua air guitar como se fosse a Ibanez branca da estrela da noite. 

SET LIST

Shockwave Supernova
Flying in a Blue Dream
Ice 9
Crystal Planet
On Peregrine Wings
Friends
If I Could Fly
Butterfly and Zebra
Cataclysmic
Summer Song
Solo de bateria (Marco Minnemann)
Crazy Joey
Solo de teclado (Mike Keneally)
Luminous Flesh Giants
Always With Me, Always With You
Solo de baixo (Bryan Beller)
Rock Medley (Deep Purple, AC/DC, Led Zeppelin, Jimi Hendrix)
Crowd Chant
Satch Boogie

Bis:

Big Bad Moon
Surfing With the Alien

Foto: Ana Bittencourt

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