quarta-feira, 22 de maio de 2019

SLASH + MYLES KENNEDY & THE CONSPIRATORS - PORTO ALEGRE, 21 DE MAIO DE 2019

Foto: Pablito Diego
Review Márcio Grings Fotos Pablito Diego (Há Cena)

É óbvio que grande parte das pessoas que vieram nesta terça-feira (21) até o Pepsi On Stage em Porto Alegre estão em busca de resquícios do Guns N' Roses. Em torno das 17h30, filas consideráveis se formam no entorno do evento, assim como as camisetas com 'Armas e Rosas' proliferam por todos os lados. Afinal, Slash, o inglês mais americano do rock, 53 anos bem vividos, e o grupo que o tornou uma lenda, fazem parte do universo do rock como uma de suas castas mais valorizadas.

E os números do Guns são superlativos. Após nova reunião da banda, o grupo esteve na estrada por dois anos, varrendo os quatro cantos do planeta na mega-bem-sucedida turnê "Not in This Lifetime". O tour passou por América do Norte, América do Sul, América Central, Ásia, Oceania e Europa, num toral de 156 concertos. De 1 de abril de 2016, no Troubador em West Hollywood, até 8 de Dezembro de 2018, no Aloha Stadium, em Honolulu, no Havaí. Porto Alegre recebeu a turnê "Not in This Lifetime" em 8 de novembro de 2016, com o Beira-Rio lotado (leia review AQUI).

Foto: Pablito Diego 
Estima-se que Slash já tenha colaborado com mais de cem artistas, isso além do que realizou com GnR, Slash's Snakepit, Velvet Revolver e com a atual banda. Não há dúvidas, estamos falando de um dos homens mais ocupados no ramo do rock and roll. E pra que se tenha uma ideia de como o guitarrista é um legítimo working man, entre brechas da digressão seu novo 'álbum solo' foi gravado, para logo depois se juntar a Myles Kennedy & The Conspiratours e dar início ao "Living The Dream Tour" em 11 de setembro de 2018, dois meses antes da  "Not in This Lifetime" chegar ao fim. Haja fôlego! E desde lá, foram quase 50 shows até o músico novamente tocar o solo gaúcho, dois anos e meio após a última estada por aqui.

Foto: Pablito Diego
No terreno pessoal, Slash também vive um momento de maturidade. Livre das drogas pesadas, uma de suas nefastas marcas pessoais no auge do GnR nos anos 1980/90, essa lucidez também pode ser refletida em vários âmbitos em sua vida pessoal/carreira: "Enquanto Axl se apegou em briguinhas e birras, Slash se dedicou a evoluir e evoluir muito", disse Marielle Flores, fã que estava entre os cerca de quatro mil presentes na noite gaúcha do "Living The Dream Tour".        

Essa evolução também pode ser vista a olhos vistos quando ele se une ao seu parceiro favorito no crime, Myles Kennedy (vocal), além da companhia de Frank Sidoris (guitarra base e vocais de apoio), e dois músicos canadenses - Todd Kerns (voz principal em duas músicas, baixo e vocais de apoio) e Brent Fitz (bateria). Juntos, já gravaram "Apocalyptic Love" (2012), "World on Fire" (2014) e "Living in the Dream" (2018), álbuns que formam a base do atual tour.

Foto: Pablito Diego
21h, Som no palco, luzes azuis sinalizam o início do espetáculo. Sem depender de telões, truques cenográficos ou adereços, a primeira bola de fogo advém do último álbum da banda, "The Call of the Wild". No palco, Slash, a lenda - o homem com uma Les Paul, o anel caveira e sua inseparável cartola. O guitarrista entrega ao público o retrato iconizado de sua persona artística - 'óculos Ray-Ban espelhado, o piercing no nariz, os cabelos escondendo traços de suas expressões' - o texto que escrevi em 2016 no show do GnR em PoA não precisa ser reescrito. Enquanto isso, Myles Kennedy ronda o palco e ocupa todos os espaços possíveis, apesar do foco principal obviamente estar sempre no guitarrista.

Foto: Pablito Diego
Uma baita sacada de Slash foi escolher Myles como o frontman de sua banda. O ex-professor de guitarra, é respeitado não apenas por sua invejável extensão vocal - "A abordagem de Jeff Buckley me ajudou a aceitar o fato de que eu era um tenor. Devo muito a ele", disse em entrevista recente. Essa veia fica exposta já em "Halo". da mesma maneira em que percebemos uma banda que vive o seu melhor momento. Não se pode negar, Myles Kennedy está no front da atual linhagem dos vocalistas de rock, e além de suas atribuições como cantor, estamos falando de um grande performer. Veja o desenho de sua atuação na falsa balada "Shadow Life" e entenda essa afirmação.

Foto: Pablito Diogo
A versão ao vivo de "Back From Cali" é o ponto do alto do início da apresentação, instante exato em que a audiência deixa o deslumbramento de lado e revela que também está pronta para cantar os refrões. Esse mesmo coro da plateia retorna afiado em canções como "Mind Your Manners" e "World On Fire". O som cru da guitarra de Slash brilha no início de "Serve You Right", assim como ganha toneladas de volume em "Boulevard of Broken Hearts". O solo de "Wicked Stone" é interminável, uma performance que alcança cerca de 10 minutos de execução, para alegria de qualquer amante da guitarra.

Foto: Pablito Diego 
Quando Todd Kerns incumbe-se dos vocais em "You're All Gonna Die" e "Doctor Alibi", uma energia contagiante toma conta do Pepsi. Como voz substituta de Iggy Pop e Lemmy Kilmister (intérpretes na gravação original de 2010), o baixista assume a liderança provisória das ações. O multi-instrumentista está acostumado a esse protagonismo, pois Todd já dividiu o tablado com nomes como Alice Cooper, Rick Nielsen, Duff McKagan, Sammy Hagar, entre outros, além de assumir a encarnação de Paul Stanley na banda tributo Black Diamond Kiss (veja AQUI). Ah, Brent Fitz toca bateria na mesma banda.

Foto: Pablito Diego
Myles retorna com o (quase) blues "Lost Inside The Girl", e aos poucos a temperatura vai aumentando, atingindo seu ápice em canções como "Driving Rain" e "By The Snow". Esse é uma das constatações determinantes do atual tour - Slash não precisa mais recorrer aos temas do Guns e do Velvet Revolver para montar um setlist, ele já tem canções de sobra para constituir um repertório que represente seu legado solo fora desse círculo vicioso, saindo de uma zona de conforto que muitos permaneceriam o resto da vida - "Gosto do lugar onde o rock está atualmente, em que o pop contamina todos os gêneros com seu filtro. O rock é a ovelha negra, e quem está tocando rock atualmente o faz pela paixão. É a primeira vez em muito tempo que não há dinheiro, não há fama, só o amor pela música", disse ao jornalista Gustavo Foster (ZH). 

Foto: Pablito Diego
Ok, esquecendo os idealismos, dá pra tocar apenas uma do GnR? Slash se aproxima do amp, aumenta o volume de seu instrumento, e a resposta vem com "Nightrain", rolo compressor/sonoro que Axl e sua trupe sempre utilizaram como um dos clímax das apresentações nas grandes arenas ao redor do mundo. Na sequência, para sepultar de vez essa lembrança (se é que isso é possível), "Starlight" é a prova viva de que Slash já é um hitmaker do rock, naquela que, convencionalmente falando, talvez seja sua melhor canção 'solo' até hoje. Ao vivo, quase 10 anos após a gravação original, o desempenho de Myles Kennedy soa ainda mais cristalino. Nada como o tempo para amadurecer algumas músicas...

Confira "Starlight" ao vivo, um dos retratos mais positivos do "Living The Dream Tour"



Detalhe: tanto a voz de Myles quanto a guitarra de Slash em alguns momentos carecem de definição/volume, importante componente, mas que não chega a prejudicar o resultado final daquilo que ouvimos. Positivamente, é preciso ainda destacar os ótimos vocais de apoio de Todd Kerns, um daqueles músicos que colocam uma energia fantástica naquilo que produzem no palco, e isso sempre faz a diferença.
   
Foto: Pablito Diego
Chegando ao final da noite, "World on Fire" é também utilizada para as apresentações da banda, com destaque para o solo de bateria de Brent Fitz (eu detesto esses solos!). Até nesses momentos performáticos, temos a revelação de um grupo maduro, pois, tudo certo quando em cerca de apenas um minuto podemos concluir que Fritz é um grande baterista. Depois de um breve intervalo, a banda retorna para o encore com "Anastasia", um riff, que segundo muitos, rivaliza com "Sweet Child O Mine". Exageros a parte, temos a mesa posta para um final digno, após 2h10 de espetáculo, eis o retrato de uma formação que está pronta para alçar voos maiores. Após o show em Lisboa, em 15 de março, o guitarrista Frank Sidoris publicou em suas redes: "70 dias, 35 shows, 22 países, (apenas) 13 dias de folga, 48 mil milhas viajadas". O tour sul-americano nem havia começado... 10 show depois dessa postagem, os números só continuam a aumentar. 

Nossos agradecimentos a Hits Produtora pelo suporte e credenciamento. Agradecimento especial Myllena Ribeiro (Hits).

Slash - Setlist Porto Alegre

The Call of the Wild
Halo
Standing in the Sun
Apocalyptic Love
Back From Cali
My Antidote
Serve You Right 
Boulevard of Broken Hearts
Shadow Life
We're All Gonna Die - Todd Kerns on lead vocals
Doctor Alibi - Todd Kerns on lead vocals)
Lost Inside the Girl
Wicked Stone
Mind Your Manners
Driving Rain
By the Sword
Nightrain
Starlight
You're a Lie
World on Fire

Bis:

Anastasia

Foto: Pablito Diego 


Foto: Pablito Diego 



Foto: Pablito Diego 

Foto: Pablito Diego 

Foto: Pablito Diego 

sábado, 11 de maio de 2019

BLACKBERRY SMOKE, 10 DE MAIO DE 2019


Charlie Starr, líder do BBS. Foto: Pablito Diego
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Review Márcio Grings Fotos Pablito Diego (Há Cena)

Quando conheci o Blackberry Smoke, eu ainda chorava o fim precoce dos Black Crowes. Sim, eu sou uma das eternas ‘viúvas’ que continuam a lamentar a falta do Corvaiêdo da Georgia, que após uma longa novela, finalmente encerrou as atividades de forma definitiva em 2015. Alguns talvez não saibam, mas Chris Robinson é uma espécie de padrinho do BBS, pois foi ele quem batizou o quinteto. Além de conterrâneo, o atual Chris Robinson Brotherhood também é amigo de Charlie Starr, líder dos Fumacentos. E no meu ponto de vista, é exatamente nessa lacuna deixada pelo fim dos Crowes que surge o Blackberry Smoke, uma daquelas bandas que parecem deslocadas no tempo, com os pés fincados mais no passado do que no futuro do rock. Afinal, que droga de futuro é esse?

Foto: Pablito Diego
Assim, dentro de gigantesco espectro do rock mundial, dá pra dizer que o Blackberry Smoke é uma banda nova, mesmo que arraigada principalmente na geografia do rock dos anos 1970. Eles soam mais antigos do que são. Em 17 anos, lançaram seis álbuns, operam numa média de 1 disco full lenght a cada dois anos e meio. Não tão conhecidos do público brasileiro, tê-los por aqui, no Opinião, é chance imperdível de vê-los justamente num período em que o grupo parece estar prestes a decolar rumo ao cume. Isso fica muito claro ao assisti-los cara a cara. 

Richard Turner, BBS. Foto: Pablito Diego
O southern rock é a chave-mestra que abre a caixa sonora do BBS. Falando em paralelismos, dá-lhe ligações com o que já ouvimos do Lynyrd Skynyrd, The Marshall Tucker Band, The Almann Brothers Band, o já citado Black Crowes, entre outros. Não que haja chupadas ou conexões diretas com bandas/artistas e a herança sulista do rock (e isso até acontece), porém, o mais importante - eles já encontraram caminho próprio, fora da trilha embarrada de seus heróis. Entretanto, essa lama continua sendo repassada através da trajetória do grupo. E não há nada errado nessa intenção, pelo contrário, que outra banda poderia representar esse emblema com tamanha identidade?    

Britt Turner, BBS. Foto: Pablito Diego
Já o Find A Light Tour retorna à ativa especialmente para os shows no Brasil. Retorna porque o BBS estava correndo os EUA com a turnê "Break It Down Acoustic Tour", totalmente na vibe do EP "The Southern Ground Sessions" (2018). Desse modo, eles novamente plugam seus instrumentos na eletricidade - "As performances acústicas são legais pelos espaços vazios, musicalmente. Elétrico é bacana pelo volume e poder", disse Charlie Starr a Homero Pivotto Jr da Abstratti (leia entrevista AQUI). Um detalhe a mais: os shows que antecedem a chegada do grupo ao país - Bogotá (5) e Lima (7) fazem a abertura do "Living Dream Tour", nova vinda ao continente de Slash + Myles Kennedy & The Conspirations. Sorte nossa que os shows do Blackberry por aqui estão descolados dessa associação, assim, ao invés de assistirmos um set mirrado, com cerca de sete ou oito músicas, em Porto Alegre, por exemplo, temos show completo, assim como foi um dia antes (9) em Curitiba!

Foto: Pablito Diego



19h55, no palco, além de Charlie Starr (vocais e guitarra), cá estão - Paul Jackson (guitarra e voz de apoio), Brandon Still (teclados), (baixo e voz de apoio) e Brit Turner (bateria), juntos a quase 20 anos, com exceção de Still, na banda desde 2009. O setlist é formado perincipalmente por temas dos álbuns "The Whippoorwill" (2012), "Like An Arrow" (2016) e o recentemente lançado "Find A Light" (2018), fontes sonoras que adicionam o combustível mais inflamável do que veremos.


Paul Jackson, BBS. Foto: Pablito Diego
A poucos metros do palco, a impressão de vê-los ao vivo parece promover um instantâneo déjà-vu em nossos olhos/ouvidos, resquícios estético/sonoros que inevitavelmente nos jogam rumo ao delicioso caleidoscópio musical dos anos 1970. Sabe aquela recorrente lembrança de que você já teve diversas relações paralelas com algumas das canções? Essa sensação aumenta quando recortes de clássicos como "Things Goin' On" (Lynyrd Skynyrd), "It's Only Rock N' Roll" (Rolling Stones) e "Come Together" (The Beatles) surgem como enxertos amarrados aos temas do grupo, e claro, sempre daquele jeito descolado, sem forçar a barra. E o Blackberry Smoke nunca força a barra. 

Brandon Still, BBS. Foto: Pablito Diego
Charlie Starr é o centro das atenções - óculos escuros, cachecol enrolado no pescoço, jaqueta jeans estonada perfeitamente ajustada ao corpo esguio - um clichê ambulante do rock. Além de ser líder e principal compositor do quinteto, Starr é também o dono da bola nos riffs, solos e na movimentação de palco. E que guitarrista! Perfeccionista, troca de instrumento entre uma música e outra, da mesma forma que alterna timbres e texturas, além de ser o senhor de uma das vozes mais respeitadas do rock atual. Toda a banda precisa de um líder, um feiticeiro, alguém que seja o centro das atenções, que atue como interlocutor com o público, que saiba conduzir uma apresentação, nos prepare para o clímax, e, consequentemente nos contamine com toda a energia do espetáculo. No caso do BBS, esse xamã é Charlie Starr.

Veja um trecho de "Sleeping Dogs". Registro: Camila Gonçalves. Saiba a história por trás de canção AQUI



Na outra guitarra, o sorridente Paul Jackson, maquinador de bases aparentemente invisíveis, porém responsável por backing vocals certeiros, apoio que sempre surge encaixadíssimo nos refrões. Já os barbudos Richard Turner (baixo) e Brit Turner (bateria), formam não só uma cozinha digna das grandes duplas do gênero - eles também encarnam a estampa clássica do imaginário southern. E nunca deixe de prestar atenção em Brandon Still, dividindo sua atuação entre um teclado Wurlitzer, Yamaha e um órgão Hammond A-101. Responsável por diversas harmonizações e panos de fundo, Still ainda provoca interessantes aberturas em solos e recortes de canções.

Foto: Pablito Diego
No setlist, destaque para aquelas músicas que já estão na boca do povo, temas como "Six Ways To Sundays", "Run Away From It All", "Restless" e "One Horse Town", instantâneos em que o público gaúcho com orgulho dá claras demonstrações de como os hits do Blackberry Smoke já estão na ponta da língua. "Waiting on a Thunder" é puro hard rock na sua forma mais faiscante, perfeita para incendiar a massa. Outro ponto alto da noite passa pelo pop/rock "Rock and Roll Again", homenagem explícita a banda coirmã Georgia Satelittes. A audiência também deu o seu show particular. 

Veja um trecho de "Run Away From It All". Registro: Camila Gonçalves.




"Medicate My Mind" e a interminável "Sleeping Dogs" possuem aquela vibe vianjandôna que os fãs da psicodelia se deliciam sem moderação; assim como "Free on The Wing", bela homenagem a Gregg Allman, lega um tributo legítimo a um dos maiores ídolos do gênero. Já "I'll Keep Rambling", pérola do álbum "Find a Light", incorpora o melhor do BBS - riffs dobrados de guitarra, aditivos apimentados de blues, country, rock e gospel, encontro musical capaz de transportar o espectador para um universo paralelo, um lugar aonde a verdadeira música sempre irá triunfar.

Foto: Pablito Diego
No bis, "Flesh and Bone" parece nos reenergizar com sua potência sonora chumbada pelo blues/rock. A pergunta é: será que precisava tocar uma versão de "Three Little Birds" (Bob Marley) Em Curitiba a releitura no bis foi "You Can't Always Get What You Want" (Rolling Stones). Okay, tudo certo! Não há regras no mundo da arte, assim nasce o southern reggae. O golpe final arrendonda as coisas com "Ain't Much Left of Me", grand finale que nos deixa saudosos bem antes que o último acorde decrete o fim do show. Luzes que se acendem, em poucos segundos o quinteto se despede, sem fotos posadas para as redes sociais ou uma histórica ovação pré-programada e previsível. Afinal, o próximo voo até o centro do pais os espera, última data do minitour, com show na capital paulista neste sábado (11).   

Eu não tive o prazer de assistir ao vivo Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, The Marshall Tucker Band e várias outras bandas/artistas representativos do rock sulista estadunidense, mas posso afirmar, a experiência de ter presenciado ao vivo o Blackberry Smoke parece me aproximar de todo esse legado. Que o quinteto de Atlanta voe ainda mais alto. Eles estão preparados para chegar ao topo. Nos reencontraremos em breve, no futuro...

Nossos agradecimentos a Abstratti Produtora pelo suporte e credenciamento. Agradecimento especial Homero Pivotto Jr (Abstratti).     
  
BS – Setlist PoA

Fire in The Hole 
Six Ways To Sunday
Good One Comin'
Working for a Working Man
Waiting on a Thunder
Crimson Moon
Rock and Roll Again/ It's Only Rock N' Roll (But A Like It)
Medicate My Mind
Sleeping Dogs/ Come Together 
Run Away From It All
Ain't Got The Blues
Things Going On/ Restless
Free On The Wing
Everybody Knows She's Mine
One Horse Town
I'll Keep Rambling

Bis:

Flesh and Bone
Three Little Birds/ Ain't Much Left of Me


Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego

Foto: Pablito Diego
Foto: Pablito Diego 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

WHITNEY SHAY, 18 DE ABRIL DE 2019

Foto: Pablito Diego

Review Márcio Grings Fotos Pablito Diego (Há Cena) e Zé Carlos de Andrade


Quinta-feira Santa, véspera de feriado, com casa lotada, o Memorabilia Blues no Plataforma 85 chega a sua edição #3. Depois do première em fevereiro (28) com Luciano Leães + Kingsize Blues (leia review), da estreia internacional em março (12) com o Rei do Memphis Soul, Wee Willie Walker (leia review), chega a vez de Santa Maria receber uma estrela em ascendência no cenário internacional - a cantora californiana Whitney Shay. Antes, vale duas lembranças - há exatos 11 anos, em 18 de abril de 2007, outro norte-americano se apresentava na cidade, o guitarrista de Chicago Eddie C. Campbell (leia review), e no mesmo dia em que recordamos o nascimento de um gigante do gênero, Clarence 'Gatemouth' Brown, coincidentemente, pelo menos por aqui, o blues/soul continua cravando sua marca neste 18 de abril de 2019.

Foto: Zé Carlos de Andrade
O Memorabilia Blues traz a cidade esse obstinada jovem de 33 anos, uma artista que já chegou a emplacar no currículo 28 shows em apenas um único mês, muitas vezes somando duas apresentações em menos de 24h! Em sua segunda turnê pelo Brasil (a primeira foi em 2015), após passagens por São Paulo, pocket shows em Porto Alegre, na Sala Geraldo Flach, Whitney Shay chega ao Centro do RS para única performance num bar no estado (sold out!). Na banda base, Luciano Leães (piano) e seus Big Chiefs - Edu Meirelles (baixo) e Ronie Martinez (bateria), com participação especialíssima de Solon Fishbone (guitarra).

Foto: Zé Carlos de Andrade 
A californiana vive o melhor momento de sua carreira, com quatro indicações ao San Diego Music Awards - o troféu de Artista do Ano em 2019 é dela - Whitney também está nomeada para a maior premiação do gênero nos Estados Unidos - O Blues Music Awards, com cerimônia agendada para o próximo dia 9 de maio, em Memphis, TN. O álbum que a coloca em evidência nos últimos meses é "A Woman Rules the World" (2018), trabalho que ainda revela sua veia de compositora, ativista pela feminismo e arqueóloga da música norte-americana - "O álbum reflete minha própria jornada como artista, e nos últimos tempos, parece que há um renovado ardor pelos direitos das mulheres", disse Shay em entrevista recente. - "Eu acredito que novamente ressoa essa movimentação, afinal , estamos todos fartos do status quo", reforçou a cantora em entrevista ao Diário de Santa Maria.

Foto: Zé Carlos de Andrade
22h35min, o show começa com Luciano Leães & The Big Chiefs. O pianista faz sua terceira apresentação do ano no Plataforma, já que além do première, também atuou como sideman na banda base de Willie Walker em março. O quarteto aquece as turbinas com uma versão funk/blues de "Things That I Used To Do" (Guitar Slim). Na sequência, o convidado especial Solon Fishbone assume o microfone e canta "I Ain't No Use" (Z.Z. Hill). Público devidamente aquecido, que venha a atração principal.

Foto: Pablito Diego
A estrela da noite finalmente fixa presença no palco - vestido preto, detalhes prateados que reluzem sob às luzes, batom vermelho, sorriso no rosto que nunca se esgota, e o inconfundível cabelo vermelho, Whitney começa os trabalhos com "Midnight Special", tema de domínio público bastante conhecido no Brasil através da versão do Creedence Clearwater Revival, porém o espelhamento escolhido pela californiana passa próximo a memória de Little Richard, uma de suas principais influências. De "A Woman Rules the World" estão no setlist temas como "Check Me Out" (Jimmy McCracklin), "Don't You Fool Me No More", "Love's Creeping Up On You" e a faixa título, certamente um dos grandes destaques da noite. A música de Denise LaSalle que dá nome ao CD surge como uma espécie de resposta a "Its A Man World” (James Brown), pois além de guardar semelhanças com a melodia, se alinha a visão feminista de Whitney. Dentro de seu repertório, há desde resgates a velha escola do funk, blues, visões musicais próximas a ancestral escola da música negra, resquícios do soul, e o mais importante - no palco - estamos presenciando os movimentos e ações de uma artista extremamente original.

Foto: Zé Carlos de Andrade
A versão de "Cry to Me" (Solomon Burke), começa com Leães rememorando "Tipitina" (Professor Longhair), um dos temas que definem o som de New Orleans, e combustível original que mescla novas cores a um dos clássicos da soul music. Esse é um dos grandes baratos de assistir apresentações ao vivo como essa - cada show pode ser único, como de fato é! Ver Whitney Shay de perto nos conduz a experiência de materializar um desenho perfeito da cantora por excelência, uma artista pronta para brilhar em qualquer palco do mundo. O jogo de olhares - como se fosse uma atriz interpretando - a constante interação com a banda, a graça de seu corpo preenchendo todos os espaços - há consonância em cada gesto. E nesse mundo repleto de injustiças, muitas vezes não basta apenas ter uma grande voz para encarar uma plateia, é preciso, cada vez mais ter atitude e postura de palco. Whitney marca um X nas duas lacunas.       

Foto: Pablito Diego
E no vai e vem de suas escolhas, "Save me", de Lavern Baker, hino de redenção (às avessas) a vida pregressa, soa como se a alma de Whitney fosse muito mais velha do que seu corpo. E certamente é. Prova disso é o sensacional medley formado por "Grinnin' In Your Face", de Son House, mesma canção que Jack White demonstra devoção no filme "It Might Get Loud" (2008), - veja AQUI. A releitura de Whitney é surpreendente, quase a capella, com a cantora batendo o pé da mesma forma que o velho Son House esmurrava o estúdio com seu sapato esburacado na América 'boca-braba' do imaginário Bluesland. "A true friend is hard to find / Don't you mind people grinnin' in your face" - (É difícil de encontrar um amigo de verdade / Não esquenta se as pessoas estão rindo da sua cara). Sem que possamos respirar, "Baby, Please Me Set a Date", de Elmore James, é um prato cheio para a guitarra de Solon Fishbone brilhar com a força de um guitar hero do blues, como de fato ele é.

Foto: Zé Carlos de Andrade
A catarse coletiva, o momento em que a casa silencia e a dinâmica da banda evidencia a importância desse episódio, a voz da cantora surge como sopro luminoso em "I Love You More Than You'll Ever Know", tema que Amy Winehouse gostava de explorar em suas apresentações. A canção de Donny Hathaway é perfeita para a intenção vocal de Whitney, legítima evidência de que estamos assistindo uma voz muito peculiar. E quando nos aproximamos do final do espetáculo, como numa sansara cíclica e necessária para a sobrevivência de seus antepassados artísticos, Whitney novamente paga tributo a Little Richard, em versões que literalmente colocam a casa abaixo. Primeiramente em "Lucille", com a potência de sua garganta aumentando ainda mais a temperatura e a interação com o público, mas principalmente em "Get Down With It", tema em que Ricardinho solta os demônios como poucos. Whitney faz o mesmo, e seu corpo acompanha essa mesma vibração, aludindo também a lembrança do repaginamento que o grupo inglês Slade fez no início dos anos 1970.

Foto: Zé Carlos de Andrade
A noite parecia ter chegado ao fim, até que uma garota em frente ao palco pede "I Just Want to Make Love To You" (Willie Dixon). Whitney combina rapidamente as ações com Leães que comanda a banda numa versão improvisada, totalmente sanguínea. E tudo que sobe... Desce... A noite se encerra na mansidão de "Georgia On My Mind", com Whitney Shay deixando a todos deslumbrados com seu talento, carisma e presença de espírito. Muitas pessoas tomam conta da parte frontal do palco e o bar entra em total ebulição, mesmo com o final do espetáculo, já passado de 0h30min. A cantora continua a distribuir sorrisos, assinar CDs e tirar fotos com os novos fãs recém engajados ao seu nosso hall de admiradores.

Foto: Zé Carlos de Andrade
Depois de Santa Maria, Whitney segue seu "A Woman Rules the World Tour" com shows em Campinas (SP), dia 19; São Carlos (SP), dia 20; Ribeirão Preto (SP), dia 24; Maringá (PR), dia 26; e encerra seu tour em Londrina (PR), no dia 27 de abril. Ficamos na torcida no próximo dia 9 de maio, noite da cerimônia do Blues Music Awards. Dois nomes que passaram pela cidade no Memorabilia Blues no Platafaforma 85 concorrem a premiações na edição desse ano do BMA, além de menina Whitney (Soul Blues Female Artist), Wee Willie Walker também está com a mão numa estatueta (Soul Blues Male Artist).   

Foto: Pablito Diego
O Memorabilia Blues no Plataforma 85 é apresentado por Ortsac, Brita Pinhal e KL Seguros. Patrocínio: Uglione, Neo Autoposto e Ortcons. Cerveja Oficial: Santa Madre. Apoio: Cabeça Arte, Depra Barber Club e Diário de Santa Maria. Som: Bolzan Áudio. Luz: Vanessa Giovanella. Coordenação administrativa: Alfredo Giardin e Taís Streit.  Comunicação e cobertura fotográfica: Há Cena Cultural. Realização: Plataforma 85 e Grings - Tours, Produções e Eventos, em parceria com o Clube do Blues.

Veja o álbum de fotos do evento - por Pablito Diego
Veja o álbum de fotos do evento - por Zé Carlos de Andrade

Foto: Zé Carlos de Andrade

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Foto: Zé Carlos de Andrade

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Foto: Zé Carlos de Andrade
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