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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

DAVID GILMOUR - PORTO ALEGRE, 16 DE DEZEMBRO DE 2015


Fotos: Gika Oliva
Depois de tocar em São Paulo e Curitiba, David Gilmour encerrou seu primeiro tour no Brasil nesta quarta-feira (16), frente à cerca de 40 mil pessoas na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. E essa foi uma daquelas noites em que muitos dos presentes na audiência gaúcha da “Rattle That Lock Tour” reencontraram a si mesmos, inclusive eu. Afinal, estamos falando do legado do Pink Floyd, uma das bandas mais cultuadas da história do rock.    

Foto: Gika Oliva
Comecei a adentrar o universo do Floyd há exatos 30 anos. Lembro-me das visitas ao Betão (Exclusive) e a Bobbysom, duas extintas lojas de discos em Santa Maria - RS, invariavelmente em busca de algum dos álbuns do grupo britânico. Infindáveis vezes, vi “The Wall”, o filme, ainda em VHS. É um dos filmes de rock que marcaram a geração que viveu o gênero na primeira metade dos anos 1980, assim como “Comfortably Numb” é uma das minhas canções favoritas de todos os tempos. Se com os Beatles é comum vermos os fãs elencarem seu integrante predileto, no caso do Pink Floyd, apesar de apreciar a digital única da guitarra de David, sempre me declarei um waterista convicto. Gosto do espírito das canções de Roger Waters. Quando o grupo voltou à ativa em 1987, com "A Momentary Lapse of Reason", apesar de comprar o vinil, precisei promover uma espécie de esforço para uma aceitação daquela formação 'capenga' e das novas canções. A impressão é que o Floyd carecia da visão crítica e emocional de Roger. "Tragam o baxista de volta!" 

Foto: Gika Oliva
Acredito que a ficha dessa fase derradeira do Pink caiu em “The Divison Bell” (1994), um trabalho que ainda hoje mostra sua força criativa, como por exemplo no set do atual tour de David. Desse modo, assim como fez em Curitiba, Quando o guitarrista voltou a tocar “Coming Back to My Life” em Porto Alegre, eu quebrei a minha promessa de deixar o celular no bolso e fiz a única imagem dessa noite mágica. “High Hopes”, obra prima floydiana que está perfilada no mesmo álbum, é outro daqueles temas que hipnotizam ao vivo. Quando o baterista Stevie D. bate no metal, percutindo um fictício ‘sino do coveiro’, há uma simbologia cênica nessa atuação, e assim enterro em mim algum tipo de resquício dessa antepaixão que precisava ser sepultado. Assim como a letra de Polly Samson, esposa de Gilmour, cada vez mais me soa como um rito de passagem.

Foto: Gila Oliva
Eis um exemplo de como meu waterismo perdeu parte de uma aparente imutável convicção. Sim, a fase mais gilmourista do grupo produziu pérolas tão preciosas como na época de ouro do grupo. Voltando ao Pink Floyd clássico, a emoção pulsa forte em “Wish You Where Here”, homenagem a Syd Barret, e hino das almas perdidas em asilos voluntários (ou não). Pra mim, trata-se de uma das melhores canções de todos os tempos sobre saudade.

Foto: Gika Oliva
Algumas músicas do novo disco do guitarrista, apesar de o álbum ter sido lançado há poucos meses, já estão na boca do povo, é o caso da faixa título e de “A Boat Lies Waiting”.  Impossível não nos sensibilizarmos com "Astronomy Domine”, tributo a fase inicial do PF; fechei os olhos em “Us and Them”, pedra preciosa de “Dark Side of the Moon”; a balada folk “Fat Old Sun”, de “Atom Heart Mother”, é um oportuno resgate nesse repertório e os assombrosos riffs de “Run Like Hell” nos relembram a parafernália tecnológica da ópera rock “Roger Waters The Wall”, que também passou pelo RS há pouco mais de três anos. 

Foto: Gika Oliva
“Shine On You Crazy Diamond” é um daqueles sons indivisíveis da persona de Gilmour, é como se fosse uma síntese da sua técnica e estilo. Ver isso bem de perto, é algo impagável.

E no final, com 40 mil vozes encorpando “Time” e “Confortably Numb”, nossos últimos momentos com o músico britânico não poderiam ter sido melhores. Destaque para a superbanda de apoio, entre eles brilha o talento do guitarrista Phil Manzarena (também responsável pelas bases elegantes do Roxy Music) e o tecladista Jon Carin (coautor de “Learning to Fly”, de “A Momentary Lapse of Reason”), além do saxofonista brasileiro João Mello.

Antes de partir para a Argentina, nova etapa do tour sul-americano, hoje pela manhã David colocou um comunicado no seu Facebook agradecendo e dando detalhes sobre cada apresentação no Brasil. “A Arena do Grêmio é uma das joias de Porto Alegre”, disse o artista. Sim gremistas, comemorem. Eu colocaria essa frase numa placa em letras graúdas e convidaria o guitarrista para a solenidade de descerramento.

Setlist Porto Alegre:

5 A.M.
Rattle That Lock
Faces of Stone
Wish You Were Here
A Boat Lies Waiting
The Blue
Money
Us And Them
In Any Tongue
High Hopes
Astronomy Domine
Shine On You Crazy Diamond (Parts I-V)
Fat Old Sun
Coming Back To My Life
The Girl In The Yellow Dress
Today
Sorrow
Run Like Hell

Bis
Time/Breath
Comfortably Numb

Foto: Gika Oliva

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