quinta-feira, 10 de outubro de 2013

BLACK SABBATH - PORTO ALEGRE, 9 DE OUTUBRO DE 2013

Fotos: Fábio Codevilla
Texto Márcio Grings Fotos Fábio Codevilla

Existem grupos musicais que se tornaram tão míticos que ao nos depararmos com um simples vislumbre desses gigantes, estamos sujeitos a usar a inconfiável lente do superlativo. O Black Sabbath, banda inglesa que começou seu tour 2013 em terras brasileiras por Porto Alegre, sem dúvida, é uma dessas entidades sagradas do rock. E se você, assim como eu, em dado momento pensou que esse GIG atual era apenas uma reunião caça niqueis para angariar fundos para três velhos gagás, parabéns, bem-vindo ao clube dos “Zé Manés”! Da mesma forma que esse babaca aqui chegou a pensar algo parecido, você também não sabe porra nenhuma.

Não sou um homem do metal, minhas preferências musicais fincaram sua bandeira em outros gêneros. Apesar disso, meus ouvidos sempre orbitaram pela discografia do Sabbath e tenho alguns itens na minha coleção, além de conhecer várias formações (encarnações) desse grupo que ajudou a forjar aquilo que hoje denominamos de heavy metal. E sabe, presenciando a apresentação de Ozzy e sua trupe, me caiu uma ficha valendo: da mesma forma que assistimos a filmes de terror por puro entretenimento, estar presente num evento como o dessa quarta-feira na capital gaúcha é a melhor forma de exorcizar nossos demônios interiores ou, quem sabe, de convivermos transitoriamente numa boa com eles. Foi uma festa daquelas!

Foto: Fábio Codevilla
O que incrédulos presenciamos em Porto Alegre é uma daquelas imagens impossíveis de serem apagadas da memória. Em primeiro lugar Ozzy Osbourne nasceu para ser o frontman do Sabbath. Esse homem de insanos olhos pintados é um dos maiores Mestres de Cerimônias que o rock já nos deu. Em segundo lugar, Tony Iommi, além de guardião da marca é, sem dúvida, a alma e, como sabemos - mentor intelectual da banda. E como foi fácil perceber essa felicidade estampada no rosto dele. Olhar e lábios risonhos não escondem isso. Em terceiro, Geezer Butler é o perfeito escudeiro dos protagonistas e, por último, quem sente falta de um Bill Ward depois de ver (e ouvir) um Tommy Clufetos? O cara chega a lembrar de John Bonham no seu solo de bateria.

Antes do show principal, o Megadeth fez um show a lá coice de porco: curto e eficiente. Um aquecimento para deixar o público em ponto de bala. E o show do Sabbath apresenta um setlist que reproduz a sequência exata das primeiras apresentações na América Latina – 16 canções – 13 clássicos e 3 músicas do recentemente lançado “13″, último álbum de inéditas do grupo inglês, que teve produção de Rick Rubin.

Foto: Fábio Codevilla
Ozzy no palco faz jus a toda àquela imagem de ‘maluquete’ que ele próprio incutiu no nosso inconsciente: uma titia louca que grita dezenas de vezes as palavras “fuck” e “crazy”, além de ser um artista que sabe como incendiar a massa e ainda cantando muito, mesmo que às vezes precise usar o teleprompter para não esquecer algumas letras. Pelo menos para mim, assisti-lo em forma foi uma grata surpresa. O velho parece ter recobrado a energia. Outro detalhe importante: vocal no talo, sem deslizes ou acochambramento, Ozzy está cantando melhor do que nos últimos anos. Gosto de ver a forma com que ele se debruça sobre o microfone, como um mártir atrás de um escudo, igual um cavaleiro protegendo sua espada enferrujada, mas ainda afiada, pronta a decepar uma nova cabeça. Ao ver torque de sobra irradiando do homem, pensei – será que Ozzy estava emboletado ou turbinado por uma nova droga desconhecida? Em nenhum momento, podemos presenciar sinais de cansaço. Deve ser o poder revigorante de voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Foto: Fábio Codevilla
Iommi, um retrato de pura satisfação e contentamento, mandou bem nas suas guitarras alinhavadas com perfeição, como um decalque daquilo que conhecemos dos ressuscitados LPs. Ouvir Butler tocando o solo encharcado de efeito em “N.I.B.” foi uma dos pontos altos de um show repleto de picos e epifanias. Como esquecer “War Pigs”, “Iron Man” e “Paranoid” com os caras que gravaram o take original, bem ali, frente às nossas pupilas dilatadas pelas visões daquele palco, luzes e som perfeito batendo no peito?

Um momento impressionante:

“Black Sabbath”, música que abre o Lado A do primeiro LP da banda lançado em 1970, foi
Foto: Fábio Codevilla
executada tão perfeitamente igual ao disco, que quase imaginei o meu vinil tocando na sala lá de casa com a banda dublando sua performance realizada num estúdio empoeirado da Inglaterra há mais de 40 anos.

Como já disse no início do texto, os superlativos podem ser explicados, jamais justificados; no entanto, tenha certeza que acabo de assistir a um dos shows de rock mais impactantes do meu currículo. Dá pra repensar algumas coisas. Alguém aí tá a fim de uma coleção do Bob Dylan em bolachão? Troco de mano por uma do Black Sabbath #Brincadeira

O grupo segue o tour no país com show em SP nesta sexta-feira; depois Rio (13) e BH (15).

Setlist

War Pigs
Into the Void
Under the Sun/Every Day Comes and Goes
Snowblind
Age of Reason
Black Sabbath
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
End of the Beginning
Fairies Wear Boots
Rat Salad/solo de bateria de Tommy Clufetos
Iron Man
God Is Dead?
Dirty Women
Children of the Grave

Sabbath Bloody Sabbath/Paranoid

Foto: Fábio Codevilla

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