segunda-feira, 24 de maio de 2010

ZZ TOP - PORTO ALEGRE, 23 DE MAIO DE 2010

Fotos: Fábio Codevilla
Sempre que nos mobilizamos para assistir a um espetáculo de rock and roll, existe uma série de expectativas preconcebidas que levamos em ‘anexo’ – impressões de gaveta e recordações pessoais que absorvemos daquilo que se conhece do artista(s) em questão. 

Domingo, 23 de maio, quando chego ao Pepsi On Stage em Porto Alegre tenho certeza que a noite será quente. Todo mundo sabe que Billy Gibbons é um grande guitarrista, que ele e o baixista Dusty Hill tem um raro entrosamento no palco, que o baterista Frank Beard é um daqueles instrumentistas que joga pro time e o resultado de tudo isso é um explosivo coquetel rock & blues, com toques caipiras turbinados e blá blá blá… Porém, senhoras & senhores, acreditem -  o show vai além das expectativas. 

O público ZZtopeano tem aquele toque multifacetado que só bandas que estão na estrada a décadas conseguem arrastar. Vi uma série de sósias de Gibbons e Hill espalhados pela plateia, além de muita gente que parece ter desembarcado direto do sul dos Estados Unidos para a Capital gaúcha. E o set da apresentação é um espelho daquilo que o trio tocou no Chile e em São Paulo.

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O peso de “Got Me Under Pressure” trata-se da perfeita credencial do cardápio que será servido. Problemas técnicos logo após o desfecho do primeiro som, não conseguem quebrar o clima, ou tirar a paciência do público. Poucos minutos depois eles recomeçam com “Waitin’ For The Bus” e “Jesus Just Left Chicago”, dupla de sons álbum “Tres Hombres” de 1972. Inacreditável! Novos problemas técnicos fazem a banda novamente sair do palco por alguns minutos novamente (pelo que parece os retornos dos músicos não estavam ok devido a problemas com queda de energia).

Foto: Fábio Codevilla
Tudo certo, em instantes eles voltam com “Pincushion” e agora sim, o névoa de tensão que (quase) chegou a se formar dissipa-se completamente. Logo depois Billy anuncia o 1° momento blueseiro da noite. A trinca formada por “I’m Bad, I’m Nationwide”, “Future Blues” e “Rock Me Baby” nos joga naquele clima dos enfumaçados botecos da imaginária contracultura americana. Em parte, essa magia possivelmente aconteça por culpa de Gibbons. Ele é considerado um dos grandes guitarristas americanos de todos os tempos, e quando o barbudo saca do coldre o seu slide de metal vermelho… Bom, essa mescla de clichês bluesy e frases exclusivas que só os antigos mestre do gênero podem nos apresentar é pura feitiçaria.

Foto: Fábio Codevilla
De volta ao tempero rock/blues eles repassam a genial “Cheap Sunglasses” e pulam “Francine” (que estava no set e que talvez tenha sido podada em virtude dos problemas técnicos que roubaram minutos preciosos do show). “I Need You Tonight” é a música mais deslocada do álbum “Eliminator”, de 1983 (dentro do conceito imposto na época pelo trio), mas é um daqueles temas que mostram como o ZZ Top também pode mudar o tom da noite. 

Outra sacada de mestre da banda são as pequenas vinhetas blueseiras que rolam o tempo todo. Funciona assim: a banda toca segundos de temas recorrentes no gênero, geralmente como um falso início entre as canções, e esse recorte incendeia o público. Billy deita e rola.

Chegamos a um dos momentos de maior pico da noite – a homenagem a Jimi Hendrix, em “Hey Joe”, com direito a uma vinhetinha de “The Wind Cries Mary”. O telão também paga tributo com imagens do guitarrista morto há 40 anos. O ZZ Top chegou a abrir shows de Jimi, em 1969.

É depois de uma dessas sacadas que o slow blues “Brown Sugar” retumba pelas caixas de som. “Party on The Patio”, como o nome sugere, é pura festança e não passa de um daqueles números em que a dupla de barbudos mostra todo seu repertório de dancinhas, canalhices e truques com o instrumento. “Just Got Paid” ao vivo ganha adições de slides malandros de Gibbons. O clima festeiro volta com “Gimme All Your Lovin’”, “Sharp Dressed Man”, “Legs” e na releitura de um sucesso de Elvis nos anos 60 – Viva Las Vegas. Pura fanfarrice.
Foto: Fábio Codevilla
Pra encerrar os trabalhos, nada melhor que a homenagem do ZZ Top ao mestre John Lee Hooker com o boogie “La  Grange”. Quando todo mundo já estava em ponto de bala, finalmente (e infelizmente) “Tush” dá as cores finais a apresentação.

Pincelando na memória (já que em virtude de toda a euforia acabo perdendo meu bloco de anotações) – dá pra perceber que o trio se diverte um bocado no palco. No picadeiro do ZZ Top sempre tem algo acontecendo – troca de roupas, instrumentos, alternância de vocais entre Billy & Dusty, o telão dialogando som a som com o publico, garrafas de Jack Daniels voando, bate-papo com uma garota da produção em português, e por aí vai. 

Uma daquelas bandas que não nos deixa esquecer o quanto o rock pode ser divertido. 


Foto: Fábio Codevilla

Foto: Fábio Codevilla

Foto: Fábio Codevilla

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