segunda-feira, 5 de março de 2018

FOO FIGHTERS - PORTO ALEGRE, 4 DE MARÇO DE 2018

Fotos: Diego Castanho/FF Brasil
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Texto Márcio Grings Fotos Diego Castanho

Dave Grohl é um predestinado. Imagine você ser coadjuvante de uma das bandas mais importantes do rock mundial. Dave era o baterista. Imagine que o líder e mentor intelectual dessa banda liquida com a própria vida ao dar um tiro de espingarda nos cornos?  Assim, após o fim trágico do Nirvana, esse poderia ser também o fim do baterista. Com o baixista Krist Novoselic aconteceu exatamente isso. Tanto que, artisticamente Novoselic não fez praticamente nada! Quem sabe seria diferente se não recusasse o convite do amigo Dave Grohl para integrar uma nova banda que havia formado para retomar a carreira: - um tal de Foo Fighters.  

Foto: Diego Castanho
Uma década e meia depois desse reinício, Grohl, 49 anos, é um dos principais nomes do rock mundial. Além de lotar arenas e estádios, como performer, agora ele é cantor/guitarrista/compositor (baterista eventual), e consequentemente transformou-se num dos astros mais amados e imbatíveis em orquestrar multidões ao redor do planeta. Prova disso é que a passagem da "Concret and Gold tour" pela capital gaúcha entrega ao público exatamente aquilo que a massa espera ouvir. E assim, por mais previsível que o set possa parecer, como reclamar? A sensação que saímos do show é de que Dave olha para o seu passado no FF com a mesma reverência que a audiência o percebe: o músico norte-americano construiu um punhado de hits que solidificam a trajetória da banda. Ele não apenas virou o jogo, Dave Grohl trilhou um novo e iluminado caminho. Quantos em situações adversas conseguiram reverter a esse desafio de uma maneira vitoriosa? Certamente muito poucos...

Foto: Diego Castanho
21h, Foo Fighters no palco com "Run". Eles só irão sair dali depois de 2h40min. O show começa com uma energia tão formidável,  pois já em "Learn to Fly" Dave Grohl está completamente tomado pelo suor e  o público vibra em uníssono. Cá entre nós, pergunte para uma 'puta velha' qual a sua opinião sobre o Foo Fighters, a resposta será sempre muito parecida. Foo Fighters não é a melhor banda que Dave participou. Será que isso importa? Ao vivo, o que realmente faz a diferença é o espírito 'old school' do rock arena que permanece azeitado sob a tutela de Dave Grohl e seus comandados.

Foto: Diego Castanho
Tanto que, um dos melhores momentos do show nem é uma canção deles: trata-se da releitura de "Under Pressure", clássico do Queen com participação de David Bowie. Quem canta é o baterista Taylor Hawkins, músico que ajuda a construir a imagem de grupo do Foo Fighters não apenas ancorado a figura de Dave Grohl. Durante a apresentação dos integrantes, o guitarrista Pat Smear ressuscita Ramones, Chris Shiflett faz o mesmo com Alice Cooper, Rami Jaffee (lembra do Wallflowers?) toca imagine ao piano e Grohl canta "Jump" do Val Halen, num extranho mash-up que até funciona. Dave é sempre muito generoso ao apresentar seus colegas. Ele é uma figura simpática, como não gostar de Dave Grohl?   

Foto: Diego Castanho
E claro, dá-lhe hits como "My Hero", "Times Like These", "Big Me", "Monkey Wrech", entre outros. Bons momentos com "The Sky Is a Neighborhood" e "Sunday Rain", representantes de "Concret and Gold", álbum que também dá nome ao tour. O Foo Fighters ainda estica demais certas canções, abusando dos falsos finais, assim como Dave recorre a um dos grandes erros de Paul McCartney em sua turnês - contar a mesma piada muitas vezes. Em contraponto, divertidíssima a sacada de encenação (via telões) no backstage como se a banda estivesse decidindo se volta ou não volta para o bis. É claro que eles voltam, para alegria dos 30 mil presentes no Beira-rio. Se em janeiro de 2015 a escolha da Fiergs deixou muitos fãs descontentes com o local utilizado para a primeira vinda do grupo a Porto Alegre, três anos depois o Beira-Rio cada vez mais firma-se como o melhor  dos espaços para a realização de shows internacionais na capital gaúcha.  

Foto: Diego Castanho
De todo o modo, quando vejo Maria Eduarda Fialho Minussi (veja foto abaixo), uma garotinha de apenas 14 anos segurando um cartaz bem em frente ao palco em seu primeiro show internacional, aí podemos entender uma das principais virtudes do Foo Fighters: não deixar as bandas de rock e a guitarra saiam da linha de frente do cenário da música mundial. E isso promove também uma manutenção de público. E quando, trêmula,  ela me mostra o setlist que ganhou de um dos integrantes da equipe técnica da banda, a mando de Dave Grohl em carne e osso, com um sorriso aberto no rosto, Maria Eduarda certamente representa parte do sangue novo dessa renovação. Pessoalmente, se me perguntarem o que realmente achei do show do Foo Figherts, a resposta é apenas uma: um grande show de entretenimento em que o rock ainda é a matéria prima principal. Todas as láureas para o grupo.      

Foto: Diego Castanho
Da capital gaúcha, FF e QOTSA seguem para Buenos Aires, onde se apresentam no dia 7, próxima quarta-feira no Estádio do Velez. A Concret and Gold Tour" segue até setembro de 2018, por apresentações nos Estados Unidos e Canadá.  


Maria Eduarda e seu cartaz. Foto: Camila Gonçalves
Setlist FF PoA

Run
All My Life
Learn to Fly
The Pretender
The Sky Is a Neighborhood
Rope
Sunday Rain
My Hero
These Days
Walk
Breakout
Under My Wheels
Imagine /Jump / Blitzkrieg Bop / Love of My Life
Under Pressure
Monkey Wrench
Times Like These
Generator
Big Me
Best of You

 Bis:

Dirty Water
This Is a Call
Everlong


Foto: Diego Castanho

Foto: Diego Castanho

Foto: Diego Castanho

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