quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PHIL COLLINS - PORTO ALEGRE, 27 DE FEVEREIRO DE 2018

Texto: Marcos Nagelstein/ Agência Preview
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Texto Márcio Grings Foto Marcos Nagelstein

Se você é daquele tipo de ouvinte que torce o nariz para a música pop, gosta de bandas/artistas obscuros ou não tão conhecidos do grande público, geralmente não dá a mínima para a maior parte das músicas que tocam nas FMs, então Phil Collins certamente está postulado no seu pódio particular de desafetos. O mesmo cara que sucedeu o idolatrado Peter Gabriel e assim tornou o Genesis mais acessível, desconectou o grupo do rock progressivo para ligá-lo na tomada do pop, também está na listagem dos 50 maiores campeões de venda de todos os tempos. Frente aos números, ele é um fenômeno de vendas, isso é inegável! Apesar de anunciar a aposentadoria em 2011, devido a sérios problemas em uma vértebra, Collins também está impedido de tocar bateria para sempre - instrumento com o qual iniciou a carreira, ainda no Genesis, ainda nos anos 1960. 

Foto: Marcos Nagelstein
E aí, contra qualquer probabilidade, o sujeito está de volta num retorno improvável. O mesmo cara que disse em 2004 que se pendurasse o microfone e deixasse os palcos, sua falta não seria sentida, agora segue em uma turnê mundial, com o delicioso título de "Not Dead Yet", ou "ainda não estou morto" - leia com ironia, é óbvio! E quando o vemos entrando no palco apoiado por uma bengala, sorriso simpático e acenando carinhosamente para o público, dá pra sacar que o mesmo homem que está resignado com limitações aprendeu uma nova forma de se conectar ao seu público. 

Foto: Marcos Nagelstein
E o Rei da Balada e do pop nas FMs não poderia começar o show de outra maneira: "Agains All Odds (Take a Look At Me Now), música que ardeu nas paradas mundiais em 1984 quando alavancou o filme "Paixões Violentas", dirigido por Taylor Hackford (Ray). Esse é o momento em que ouvimos o clique: sim, você está num show de Phil Collins. "Another Day in Paradise" confirma essa sensação. O tema foi escrito com o intuito de chamar atenção para o problema da falta de moradia nas grandes regiões metropolitanas do mundo. A ficha caiu depois de uma visita do cantor a Washington, Capital Federal dos EUA. O público de cerca de 20 mil pessoal que toma conta do Beira-rio vibra em sintonia com o artista.

Foto: Marcos Nagelstein
E como suporte, Collins traz ao Brasil um super time de acompanhantes. Nicholas Collins, seu filho filho de apenas 16 anos assume a bateria com propriedade. Também no palco nomes conhecidos como o baixista  Leland Sklar (Toto, Joe Cocker, Leonard  Cohen), os experientes guitarristas Daryl Stuermer (sideman em alguns tours do Genesis) e Ronnie Caryl (Garry Brooker. Maggie Bell), além dos teclados de Brad Cole (Supertramp, Lionel Ritchie). Chance ainda de ver um percussionista de primeira linha, Luis Conte (James Taylor, Madonna). Nos metais, Harry Kim (Marvin Gaye, Aretha Franklin) e Dan Fornero (Ton Jones, Neil Diamond), mais o saxofonista George Shelby (Stevie Wonder, Bruce Springsteen) e o trombonista Luis Bonilla (Dizzy Gillespie, Tony Bennett). Vozes de apoio por conta de Arnold McCuller (James Taylor, Bonnie Rait), Amy Keys (Ringo Starr, Toto), Bridgette Bryant (The Fire Choir) e  Lamont van Hook (Joe Cocker, Rod Stewart).   

São 15 músicos no palco, e todo o esquema cênico do espetáculo é desenhado para valorizar todas as participações. Apesar de termos Phil Collins colado no centro das atenções, todos os músicos ganham destaque com a orquestração de luzes e cores projetadas sob medida para encantar a plateia. E realmente encanta.     

Foto: Marcos Nagelstein
Destaque ainda para temas mais embalados de sua carreira solo como "I Missed Again", "Hang In Long Enough", "Only You Know and I Know", "Something Happened on the Way to Heaven" (e a dancinha engraçada do quarteto e sopros), mais "Sussudio". O meu recorte favorito da noite é a lembrança do Genesis - "Throwing It All Away", "Invisible Touch" e "Follow You Follow Me", esse último tema também escolhido como trilha sonora para um retrospecto no telão, onde vemos diversas imagens de Collins ao lado de seus colegas do Genesis. Outro instantâneo da cultura pop é "In the Air Tonight", tema que fez parte do seriado "Miami Vice", flerte com ambient music/rock progressivo e um dos momentos mais sombrios da noite, marcado também pela ausência dos vocalistas de apoio e do naipe de metais.   

Foto: Marcos Nagelstein
Entre os melhores passagens, emocionante de ver a intimista "Separate Lives" e o bonito dueto de Collins com a cantora Bridgette Bryant. Como não dançar frente a releitura de "You Can Hurry Love", clássico das Supremes num arranjo colado a "Dance into the Light", além de "Easy Lover", sucesso de Philip Bailey gravado em 1985 no álbum "Chinese Wall" - na linha de frente, ouvimos todas as vozes de apoio do grupo passeando pelo palco e esbanjando talento. 

No bis, quando "Take Me Home" acaba, após 2h de espetáculo, chega finalmente a hora de todos irmos para casa com a sensação de que ainda tem água pra passar debaixo da ponte e da vida artística da atração principal do "Not Dead Yet Tour". Aos 67 anos, o velho Phil deve aprontar mais uma em breve. Um novo álbum vindo por aí... Quem sabe...

Nossos agradecimentos a Agência Preview pelo suporte e credenciamento.

Setlist Phil Collins PoA

Against All Odds (Take a Look at Me Now)
Another Day In Paradise
I Missed Again
Hang in Long Enough
Wake Up Call
Throwing It All Away
Follow You Follow Me
Who Said I Would
Separate Lives
Something Happened on the Way to Heaven
In the Air Tonight
You Can't Hurry Love
Dance Into the Light
Invisible Touch
Easy Lover
Sussudio

Bis:

Take Me Home  
 
Foto: Marcos Nagelstein
 

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