sexta-feira, 7 de outubro de 2011

ERIC CLAPTON - PORTO ALEGRE, 6 DE OUTUBRO DE 2011

Foto: Ricardo Duarte
Olho no relógio. Um brinde a velha pontualidade britânica! 10h em ponto quando Clapton dispara o primeiro acorde de sua Fender azul (ou verde) piscina. Em apenas um lick dá pra sacar que a noite já está ganha para cerca de 20 mil pessoas. No meu caso, não mais importa o desgaste de uma viagem cansativa que culminou no trânsito caótico da capital gaúcha, nem o preço do táxi mais caro da minha vida que me levou até lá. 

"Goin Down Slow" dá a tônica do espetáculo - noite de blues, principalmente. O estacionamento da FIERGS parece um pequeno (gigante) clube de blues. Detalhe negativo: uma das queixas da noite foi o som mais baixo em determinados setores si público, mais distantes do palco. Ao dar uma circulada fica fácil perceber que realmente está ruim. Espetáculo no Estacionamento da FIERGS só há um jeito de encontrar satisfação - ficar bem na frente, com o som batendo no peito. "Key To The Highway", um antigo standard de Big Bill Broozy reafirma o blues como gênero dominante do set. 

Foto: Ricardo Duarte
"Hoochie Coochie Man", tema de Willie Dixon que Clapton gravou em "From The Cradle" (1994) leva o público ao delírio já no primeiro riff de guitarra. Impossível não reparar nos cabelos brancos do baterista Steve Gadd, um gigante das baquetas, e um daqueles músicos que acompanho dos discos e filmes de rock há décadas -, um ídolo mundial das baquetas. "Old Love", do álbum "Journeyman" (1989), é o primeiro momento extensivo do Clapton 'Slowhand'. Moldura propícia para um longo solo de guitarra, piano (Chris Staiton) órgão (Tim Carmon). Depois é a vez de "Tearing s Apart", um daqueles números menores que parecem ganhar força quando tocado ao vivo. 

Foto: Mauro Vieira

Ainda no cercado blueseiro, "Driftin’" abre o set acústico. E ainda na mesma onda, boas-vindas a "Nobody Knows When You’re Down And Out", uma canção do álbum "Layla And Other Assorted Love Songs" (1970), há tempos desaparecida do setlist de Clapton, ressurgida aqui num delicioso e 
despretensioso clima de
saloon. Destaque para os backings de Michelle John e Sharon White. A esperada homenagem ao bluesman irlandês Gary Moore (falecido poucos meses antes) com a versão desplugada de "Still Got The Blues" é substituída por "Lay Down Sally", tema do eremita da guitarra J.J. Cale. A audiência sacoleja e canta o refrão em coro. O baixo de Willie Weeks passa a impressão de dar um novo frescor e embalo ao tema. 

Foto: Mauro Vieira
"When Someone Thinks You Are Wonderful", única música do seu novo álbum lançado em outubro do ano passado, é um abre-alas jazzista da noite. Em inusitada versão acústica, "Layla" leva o público ao previsível delírio, numa releitura que novamente coloca a ambiência jazzy em pauta, performance espelhada na gravação do CD lançado em dupla com Wynton Marsalis. Um fato que merece ser lembrado, é que no atual tour, Clapton está trabalhando sem um guitarrista  de apoio (sideman), fato inédito em sua carreira nos últimos anos 30 anos. No início da década passada, ele chegou a ter até dois guitarristas colaborando nas texturas e camadas de suas execuções no palco. 

Foto: Mauro Vieira
Uma coisa é fato: com apenas uma guitarra o som fica mais limpo, e assim EC pode mostrar toda sua versatilidade. Fim do set violeiro, a eletricidade volta a baila com "Badge", antigo hit do Cream composto em parceria com George Harrison. "Wonderful Tonight" obviamente é o grande momento romântico da noite, proporcionando encontros acalorados entre dezenas de casais. Pra fugir do clima de evento social, "Before Accuse Me" de Bo Diddley e "Little Queen of Spades" de Robert Johnson recolocam o blues na roda. 

Foto: Mauro Vieira
Show de Eric Clapton sem "Cocaine", não é show de Eric Clapton. A música de J.J. Cale já faz parte do metabolismo musical do inglês. "Crossroads" de Robert Johnson, em versão mais lenta encerra a noite batendo em exatas 1 hora e 45 minutos de espetáculo. Em tom introspectivo, Clapton raramente se reportou ao público, restringindo sua comunicação com um agradecimento no final de cada execução. Provavelmente a FIERGS não seria o melhor local para ver esse naipe de show, e quem sabe, esse foi um dos fatos que nos entregou um protagonista emburrado, as vezes até um tanto protocolar. Quem conhece Eric Clapton, sabe que o homem não faz média. E nem precisa. 

Setlist Porto Alegre:

O1 Going Down Slow
02 Key to the Highway
03 Hoochie Coochie Man
04 Old Love
05 Tearing Us Apart
06 Driftin’
07 Noboby Known When Your Down And Out
08 Lay Down Sally
09 When Someone Thinks You Are Wonderful
10 Layla
11 Badge
12 Wonderful Tonight
13 Before You Accuse Me
14 Little Queen of Spades
15 Cocaine

16 Crossroads

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