sexta-feira, 19 de abril de 2019

WHITNEY SHAY, 18 DE ABRIL DE 2019

Foto: Pablito Diego

Review Márcio Grings Fotos Pablito Diego (Há Cena) e Zé Carlos de Andrade


Quinta-feira Santa, véspera de feriado, com casa lotada, o Memorabilia Blues no Plataforma 85 chega a sua edição #3. Depois do première em fevereiro (28) com Luciano Leães + Kingsize Blues (leia review), da estreia internacional em março (12) com o Rei do Memphis Soul, Wee Willie Walker (leia review), chega a vez de Santa Maria receber uma estrela em ascendência no cenário internacional - a cantora californiana Whitney Shay. Antes, vale duas lembranças - há exatos 11 anos, em 18 de abril de 2007, outro norte-americano se apresentava na cidade, o guitarrista de Chicago Eddie C. Campbell (leia review), e no mesmo dia em que recordamos o nascimento de um gigante do gênero, Clarence 'Gatemouth' Brown, coincidentemente, pelo menos por aqui, o blues/soul continua cravando sua marca neste 18 de abril de 2019.

Foto: Zé Carlos de Andrade
O Memorabilia Blues traz a cidade esse obstinada jovem de 33 anos, uma artista que já chegou a emplacar no currículo 28 shows em apenas um único mês, muitas vezes somando duas apresentações em menos de 24h! Em sua segunda turnê pelo Brasil (a primeira foi em 2015), após passagens por São Paulo, pocket shows em Porto Alegre, na Sala Geraldo Flach, Whitney Shay chega ao Centro do RS para única performance num bar no estado (sold out!). Na banda base, Luciano Leães (piano) e seus Big Chiefs - Edu Meirelles (baixo) e Ronie Martinez (bateria), com participação especialíssima de Solon Fishbone (guitarra).

Foto: Zé Carlos de Andrade 
A californiana vive o melhor momento de sua carreira, com quatro indicações ao San Diego Music Awards - o troféu de Artista do Ano em 2019 é dela - Whitney também está nomeada para a maior premiação do gênero nos Estados Unidos - O Blues Music Awards, com cerimônia agendada para o próximo dia 9 de maio, em Memphis, TN. O álbum que a coloca em evidência nos últimos meses é "A Woman Rules the World" (2018), trabalho que ainda revela sua veia de compositora, ativista pela feminismo e arqueóloga da música norte-americana - "O álbum reflete minha própria jornada como artista, e nos últimos tempos, parece que há um renovado ardor pelos direitos das mulheres", disse Shay em entrevista recente. - "Eu acredito que novamente ressoa essa movimentação, afinal , estamos todos fartos do status quo", reforçou a cantora em entrevista ao Diário de Santa Maria.

Foto: Zé Carlos de Andrade
22h35min, o show começa com Luciano Leães & The Big Chiefs. O pianista faz sua terceira apresentação do ano no Plataforma, já que além do première, também atuou como sideman na banda base de Willie Walker em março. O quarteto aquece as turbinas com uma versão funk/blues de "Things That I Used To Do" (Guitar Slim). Na sequência, o convidado especial Solon Fishbone assume o microfone e canta "I Ain't No Use" (Z.Z. Hill). Público devidamente aquecido, que venha a atração principal.

Foto: Pablito Diego
A estrela da noite finalmente fixa presença no palco - vestido preto, detalhes prateados que reluzem sob às luzes, batom vermelho, sorriso no rosto que nunca se esgota, e o inconfundível cabelo vermelho, Whitney começa os trabalhos com "Midnight Special", tema de domínio público bastante conhecido no Brasil através da versão do Creedence Clearwater Revival, porém o espelhamento escolhido pela californiana passa próximo a memória de Little Richard, uma de suas principais influências. De "A Woman Rules the World" estão no setlist temas como "Check Me Out" (Jimmy McCracklin), "Don't You Fool Me No More", "Love's Creeping Up On You" e a faixa título, certamente um dos grandes destaques da noite. A música de Denise LaSalle que dá nome ao CD surge como uma espécie de resposta a "Its A Man World” (James Brown), pois além de guardar semelhanças com a melodia, se alinha a visão feminista de Whitney. Dentro de seu repertório, há desde resgates a velha escola do funk, blues, visões musicais próximas a ancestral escola da música negra, resquícios do soul, e o mais importante - no palco - estamos presenciando os movimentos e ações de uma artista extremamente original.

Foto: Zé Carlos de Andrade
A versão de "Cry to Me" (Solomon Burke), começa com Leães rememorando "Tipitina" (Professor Longhair), um dos temas que definem o som de New Orleans, e combustível original que mescla novas cores a um dos clássicos da soul music. Esse é um dos grandes baratos de assistir apresentações ao vivo como essa - cada show pode ser único, como de fato é! Ver Whitney Shay de perto nos conduz a experiência de materializar um desenho perfeito da cantora por excelência, uma artista pronta para brilhar em qualquer palco do mundo. O jogo de olhares - como se fosse uma atriz interpretando - a constante interação com a banda, a graça de seu corpo preenchendo todos os espaços - há consonância em cada gesto. E nesse mundo repleto de injustiças, muitas vezes não basta apenas ter uma grande voz para encarar uma plateia, é preciso, cada vez mais ter atitude e postura de palco. Whitney marca um X nas duas lacunas.       

Foto: Pablito Diego
E no vai e vem de suas escolhas, "Save me", de Lavern Baker, hino de redenção (às avessas) a vida pregressa, soa como se a alma de Whitney fosse muito mais velha do que seu corpo. E certamente é. Prova disso é o sensacional medley formado por "Grinnin' In Your Face", de Son House, mesma canção que Jack White demonstra devoção no filme "It Might Get Loud" (2008), - veja AQUI. A releitura de Whitney é surpreendente, quase a capella, com a cantora batendo o pé da mesma forma que o velho Son House esmurrava o estúdio com seu sapato esburacado na América 'boca-braba' do imaginário Bluesland. "A true friend is hard to find / Don't you mind people grinnin' in your face" - (É difícil de encontrar um amigo de verdade / Não esquenta se as pessoas estão rindo da sua cara). Sem que possamos respirar, "Baby, Please Me Set a Date", de Elmore James, é um prato cheio para a guitarra de Solon Fishbone brilhar com a força de um guitar hero do blues, como de fato ele é.

Foto: Zé Carlos de Andrade
A catarse coletiva, o momento em que a casa silencia e a dinâmica da banda evidencia a importância desse episódio, a voz da cantora surge como sopro luminoso em "I Love You More Than You'll Ever Know", tema que Amy Winehouse gostava de explorar em suas apresentações. A canção de Donny Hathaway é perfeita para a intenção vocal de Whitney, legítima evidência de que estamos assistindo uma voz muito peculiar. E quando nos aproximamos do final do espetáculo, como numa sansara cíclica e necessária para a sobrevivência de seus antepassados artísticos, Whitney novamente paga tributo a Little Richard, em versões que literalmente colocam a casa abaixo. Primeiramente em "Lucille", com a potência de sua garganta aumentando ainda mais a temperatura e a interação com o público, mas principalmente em "Get Down With It", tema em que Ricardinho solta os demônios como poucos. Whitney faz o mesmo, e seu corpo acompanha essa mesma vibração, aludindo também a lembrança do repaginamento que o grupo inglês Slade fez no início dos anos 1970.

Foto: Zé Carlos de Andrade
A noite parecia ter chegado ao fim, até que uma garota em frente ao palco pede "I Just Want to Make Love To You" (Willie Dixon). Whitney combina rapidamente as ações com Leães que comanda a banda numa versão improvisada, totalmente sanguínea. E tudo que sobe... Desce... A noite se encerra na mansidão de "Georgia On My Mind", com Whitney Shay deixando a todos deslumbrados com seu talento, carisma e presença de espírito. Muitas pessoas tomam conta da parte frontal do palco e o bar entra em total ebulição, mesmo com o final do espetáculo, já passado de 0h30min. A cantora continua a distribuir sorrisos, assinar CDs e tirar fotos com os novos fãs recém engajados ao seu nosso hall de admiradores.

Foto: Zé Carlos de Andrade
Depois de Santa Maria, Whitney segue seu "A Woman Rules the World Tour" com shows em Campinas (SP), dia 19; São Carlos (SP), dia 20; Ribeirão Preto (SP), dia 24; Maringá (PR), dia 26; e encerra seu tour em Londrina (PR), no dia 27 de abril. Ficamos na torcida no próximo dia 9 de maio, noite da cerimônia do Blues Music Awards. Dois nomes que passaram pela cidade no Memorabilia Blues no Platafaforma 85 concorrem a premiações na edição desse ano do BMA, além de menina Whitney (Soul Blues Female Artist), Wee Willie Walker também está com a mão numa estatueta (Soul Blues Male Artist).   

Foto: Pablito Diego
O Memorabilia Blues no Plataforma 85 é apresentado por Ortsac, Brita Pinhal e KL Seguros. Patrocínio: Radiadores Schiavini, Uglione, Neo Autoposto e Ortcons. Cerveja Oficial: Santa Madre. Apoio: Cabeça Arte, Depra Barber Club e Diário de Santa Maria. Som: Bolzan Áudio. Luz: Vanessa Giovanella. Coordenação administrativa: Alfredo Giardin e Taís Streit.  Comunicação e cobertura fotográfica: Há Cena Cultural. Realização: Plataforma 85 e Grings - Tours, Produções e Eventos, em parceria com o Clube do Blues.

Veja o álbum de fotos do evento - por Pablito Diego
Veja o álbum de fotos do evento - por Zé Carlos de Andrade

Foto: Zé Carlos de Andrade

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