segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

JOE SATRIANI, PORTO ALEGRE, 11 DE DEZEMBRO DE 2016

Foto: Ana Bittencourt
Texto Márcio Grings Fotos Ana Bittencourt (exceto indicado)

Aos olhos de um leigo a pergunta é pertinente: qual a graça de ver um show de rock instrumental? O público que tomou conta do Auditório Araújo Vianna no último domingo (11), em Porto Alegre, dá sua resposta em uníssono: muita vibração e interação com Joe Satriani e banda. Nada de cantar refrões ou algo do gênero, até porque eles realmente não existem! O grande lance é sacar da caixa de ferramentas seu melhor desempenho de air guitar (a lá Joe Cocker) e curtir a onda. E os coros de "oh-ohh-ôsss" e os gritos de "hey" também valem. Importante não esquecer outro detalhe: o careca no palco é um dos maiores extra-terrestres do universo a empulhar uma guitarra. 

Satriani chega acompanhado do baterista alemão Marco Minnemann, ex-integrante da banda de Steve Vai; do baixista formado em Berkeley, Bryan Beller; além do veterano Mike Keneallly, multi-instrumentista que já trabalhou com Frank Zappa, e que na banda de Satriani é responsável pelos teclados, segunda guitarra e também assume papel de animador de torcida.

Foto: Ana Bittencourt
O atual tour é uma retrospectiva dos 30 anos de carreira de um dos maiores melodistas da guitarra (na verdade são 32 anos), e também embala o último álbum do músico, o ótimo “Schockwave Supernova”, lançado em 2015. Praticamente metade do show é composto por temas do disco mais recente e pelo cultuado “Surfing With The Alien”. A outra parte é formada por duas faixas de “Flying in a Blue Dream (1989), duas de “The Extremist” (1992), uma faixa de “Crystal Planet” (1998), “Is There Love in the Space (2004), “Super Colossal” (2006) e “Joe Satriani” (1995). E como de costume, além da habitual ‘fritação’ nos solos de guitarra, também há espaço para malabarismos dos instrumentistas que acompanham o guitarrista, entre eles, destaque para o solo de baixo de Bryan Beller, momento em que o músico apresenta um medley com clássicos do rock, entre eles temas do AC/DC, Deep Purple, Led Zeppelin e Jimi Hendrix. No solo de bateria vou buscar mais cerveja...

Foto: Ana Bittencourt
Entre os bons momentos da noite, “Cataclism”, música que cresce absurdamente ao vivo; o embalo manso e melódico de “Butterfly & Zebra”; o baião heavy “On Peregrine Wings”; além de temas de carteirinha como “Sacht Boogie”, “Summer Song”, e a balada melódico/instrumental “Always With Me, Always With You”.

Foto: Ana Bittencourt
Já no final, “Big Bad Moon”, único número cantado da noite, emerge como um blues potencializado a máxima potência, com direito a solo de harmônica incorporando o espírito de uma guitarra endiabrada. E o grand finale não poderia deixar de ser com a emblemática “Surfing With the Alien”. 

No telão, as imagens do Surfista Prateado me deixam com a impressão de que, no palco, a figura de Satriani parece ter incorporado à imagem do herói da Marvel. Também me surge à lembrança do quanto à obra do Herói da guitarra transcende o rock instrumental para nos remontar a memória afetiva de que a arte muitas vezes ainda nos surpreende. 

Assistir Joe Satriani ao vivo é como embarcar numa nave espacial que se desloca velozmente pelo tempo/espaço. E como passageiro desse foguete, eu procuro meu lugar junto à janela. Assim como um coroa que ao final do espetáculo, após todas as luzes se acenderem, continuava a tocar sua air guitar como se fosse a Ibanez branca da estrela da noite. 

SET LIST

Shockwave Supernova
Flying in a Blue Dream
Ice 9
Crystal Planet
On Peregrine Wings
Friends
If I Could Fly
Butterfly and Zebra
Cataclysmic
Summer Song
Solo de bateria (Marco Minnemann)
Crazy Joey
Solo de teclado (Mike Keneally)
Luminous Flesh Giants
Always With Me, Always With You
Solo de baixo (Bryan Beller)
Rock Medley (Deep Purple, AC/DC, Led Zeppelin, Jimi Hendrix)
Crowd Chant
Satch Boogie

Bis:

Big Bad Moon
Surfing With the Alien

Foto: Ana Bittencourt

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