quarta-feira, 12 de outubro de 2016

AEROSMITH – PORTO ALEGRE, 11 DE OUTUBRO DE 2016

Fotos: Ericson Friedrich



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Por Márcio Grings Colaborou Camila Gonçalves Fotos Ericson Friedrich

Para início de conversa, o Aerosmith é um grupo que detém uma marca invejável: trata-se da banda de rock norte-americana que mais arrecadou com vendas de discos em todos os tempos. Anote aí - são cerca de 150 milhões de cópias vendidas nos quatro cantos do planeta! Recordistas também de longevidade, o quinteto, que leva nas costas 46 anos de serviços prestados ao rock’n´roll, se apresentou nessa véspera de feriado (11/09) no Anfiteatro Beira-Rio, em Porto Alegre. 

Confira o ÁLBUM DE FOTOS do evento. Por Ericson Friedrich

Se na primeira passagem do grupo pelo RS (em 2010, com show na FIERGS) o evento recebeu uma série de críticas negativas em virtude de quesitos técnicos e ao local escolhido para o show, agora foi diferente. Dessa vez a banda de Steven Tyler realizou um show irretocável! Seja pelo modelo reduzido de show em anfiteatro; seja por vasculhar nos primórdios de seu repertório dos anos 1970; por revisitar seu ressurgimento nos anos 1980; e por pincelar os hits mais tocados, para delírio dos trinta mil presentes, principalmente por não se esquecer dos fãs conquistados nas paradas de sucessos das FMs nas últimas duas décadas. Sim, o Aerosmith esnoba em enfileirar uma série de hits que fizerem parte da trilha sonora de várias gerações.

Os Toxic Twins em ação. Foto: Ericson Friedrich

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Antes de passar pelo Brasil, a atual turnê cruzou por Argentina, Chile e Colômbia. Depois de Porto Alegre, a banda segue agora para São Paulo, onde toca no dia 15, e Recife, no dia 21, além de shows na Bolívia, Peru e México. Esta foi a sexta passagem do Aerosmith pelo país. A primeira visita aconteceu em 1994. Depois, voltou em 2007, 2010, 2011 e 2013.

Para quem chegou próximo ao horário da abertura dos portões, foi possível ouvir a passagem de som de Tyller, Perry, Whitford, Hamilton e Kramer, levando o público enfileirado em frente aos portões de acesso ao delírio. E aí ficaram algumas pistas que teríamos variações no set.

O show de Porto Alegre começa com “Back in the saddle”, uma das melhores canções de abertura do rock mundial. Ao vivo, a faixa 1 do Lado A de “Rocks” (1976) – e na minha opinião, melhor álbum da banda -, dá a deixa de que os anos iniciais do Aerosmith não estão esquecidos na "Rock n' Roll Rumble”. Logo após, “Love in an elevator” é a música perfeita para incendiar a massa, assim como “Cryin” e “Crazy”, de “Get a grip” (1993), músicas que ganham o coro instantâneo da audiência. Em relação às apresentações anteriores na América Latina, tivemos algumas mudanças no show do Beira-Rio. Uma delas é “Kings and Queens”, melhor faixa de “Draw the line” (1977), e tema que não aparecia há dois anos no setlist das apresentações.

Aerosmith tocou para cerca de 30 mil pessoas no Anfiteatro Beira-Rio. Foto: Ericson Friedrich
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Steven Tyler continua cantando tão bem, ou melhor do que nunca. O megahit “Livin’ on the edge” é prova de sua versatilidade vocal ao vivo. A 'lenha pesa' em “Rats in the cellar” (mais uma faixa de ‘Rocks’), para logo depois relembramos “Dude (Looks like a lady)”, uma das canções símbolo do ressurgimento do Aerosmith nas paradas de sucesso, do disco “Permanent Vacation” (1987), isso depois de um hiato criativo e vários anos marcando passo após sucessivos desentendimentos e abusos de drogas. “Same old song and dance” abre com um dos melhores riffs de Joe Perry, uma daquelas músicas do Aerosmith que crescem um bocado ao vivo. “Monkey on my back” é um balde de água fria num repertório como esse. Do mesmo disco poderia, por exemplo, ter entrado “F.I.N.E”, uma das melhores faixas de “Pump” (1989), ponto alto do grupo nos anos 1980.

Steven Tyller, um dos maiores performers do rock. Foto> Ericson Friedrich
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Em “Pink”, de “Nine Lives” (1997), Steven recebe um boás rosa como emblema artístico de apoio ao Outubro Rosa, sendo o laço símbolo da campanha sobre prevenção do câncer de mama projetado no telão. O guitarrista Joe Perry e o baixista Tom Hamilton também usavam na lapela o laço rosa da mesma campanha. “Rag doll”, de “Permanet Vacation”, ao vivo soa como uma canção dos anos 1970, com destaque para o jogo das guitarras. É também quando percebemos o tecladista Buck Johnson, músico de apoio do Aerosmith desde 2014, e que também é responsável pelos vocais de apoio dos shows.  A releitura de “Stop messin’ around” (Fleetwood Mac) é o momento em que Perry assume os vocais, bem humorado, o guitarrista aparece no telão tocando seu instrumento junto ao monumento do Laçador na capital gaúcha, onde a banda esteve em visita no dia anterior ao evento.

Um dos emblemas mais conhecidos do rock mundial. Foto: Ericson Friedrich
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“I don’t want to miss a thing”, uma canção escrita por Diane Warren (e que foi endereçada a Celine Dion, acreditem!), encontrou sua versão definitiva com o Aerosmith; assim como a releitura de “Come Together” parece ter sido desenhada sob medida por Lennon para a voz de Tyller. A levada de bateria de Joey Kramer é o ‘engana bobo’ pra um dos maiores sucessos do Aerosmith nos anos 1970. “Walk this way”, de “Toys in the attic” (1975), canção pré-rap que acabou sendo regravada pelo Run DMC, com participação de Tyller e Perry, em videoclipe que apresentou o Aerosmith para uma nova geração de fãs e foi um dos mash-ups pioneiros em cruzar os estilos. 

O cover de “Train kept a-rolling”, número que ganhou fama com o Yardbirds nos anos 1960, confirma a natividade do Aerosmith em potencializar o blues a potência máxima, testando os limites dos músicos ao vivo. Breve intervalo e Tyller retorno ao palco sentado ao piano, tocando a música que lançou o grupo nas paradas de sucesso em 1973. É incrível como “Dream on” ainda nos soa fresca e revitalizada, como se fosse uma canção recente e sintonizada com a atual frequência do quinteto e das baladas de hard rock.

Tyller soprando a sua harmônica. Foto: Ericson Friedrich
Grand finale com Tom Hamilton cruzando o som gelatinoso do seu baixo com o talk box da guitarra de Perry. “Sweet emotion”, uma das canções símbolos do Aerosmith e máquina sonora azeitada para sacolejar audiências ao longo do mundo.  A disposição e energia do grupo é surpreendente durante as duas horas de espetáculo. O show encerra em alto astral, com uma nuvem artificial e chuva de papel picado, envolvendo o público em um  clima de despedida. Será?

46 anos na estrada. Foto: Ericson Friedrich



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Fico com a sensação de que talvez estejamos vendo o grupo norte-americano pela última vez no RS. Em recentes entrevistas, o vocalista de 68 anos, anunciou que o grupo faria uma turnê de despedida em 2017. A notícia coincidiu com o lançamento de seu primeiro disco solo, “We’re All Somebody From Somewhere”. De todo o modo, a última chance de vê-los no país pode ser no ano que vem. O Aerosmith é uma das atrações confirmadas na edição 2017 do Rock in Rio.

Quem viver verá...

Tyller em "Love In An Elevator". Foto: Ericson Friedrich
Setlist completo Porto Alegre:

1. Back in the Saddle Again
2. Love In An Elevator
3. Cryin'
4. Crazy
5. Kings and Queens
6. Livin' On The Edge
7. Rats in the Cellar
8. Dude (Looks Like A Lady)
9. Same Old Song And Dance
10. Monkey on my Back
11. Pink
12. Rag Doll
13. Stop Messin' Around
14. I Don't Want to Miss a Thing
15. Come Together
16. Walk This Way
17. Train Kept a Rollin'
18. Dream On
19. Sweet Emotion 

Aerosmith é uma das atrações confirmadas para o Rock in Rio 2017. Foto: Ericson Friedrich.

Tyller lançando a harmônica em direção ao público. Rápido no gatilho, esse é nosso fotógrafo Ericson Friedrich! 
Tyller, Intimidade com o público. Foto: Ericson Friedrich
Whitford e Hamilton. Ao fundo, Buck Johnson, tecladista de apoio no Aerosmith. Foto Ericson Friedrich
Fim de festa. Foto (celular): Márcio Grings

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