quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ROBERT PLANT - PORTO ALEGRE - 30 DE OUTUBRO DE 2012

Fotos: Fábio Codevilla
Muitos dos que foram até o Gigantinho na noite dessa segunda-feira não sabiam. No entanto, grande parte de todos nós que lá estivemos estava em busca do elo perdido entre o rock de ontem e a sombra dos tempos áureos que ainda sobrevive em nossas memórias. Foi então que descobrimos que o rock and roll se encontra saudável e rejuvenescido nos braços e na garganta de Robert Plant. Também dá pra dizer que poucos artistas com mais de 40 anos de estrada ainda conseguem olhar para o gênero com os olhos de um visionário.

Às 21h35min, Plant dá início à noite. O vocalista inglês está à frente do The Sensational Space Shiffters, time de músicos formado por Justin Adams – guitarra, bendir e vocais; Billy Fuller – Guitarra e vocais; John Baggott – teclados;Liam “Skin” Tyson – guitarra e vocais e Dave Smith – bateria e percussão, com destaque para o músico gambiano Juldeh Camara (tocando ritti – violino africano de uma corda – e kologo – banjo africano). E que banda!

Foto: Fábio Codevilla

Uma das melhores e mais concisas definições do atual som do ex-vocalista do Led Zeppelin ouvi da boca do amigo e jornalista Danilo Fantinel:

“O espetáculo transitou entre o heavy rock lisérgico do Led Zeppelin, folk, blues e elementos sonoros globais requintados com raízes fincadas na África e no Oriente Médio. As nuances exóticas propostas pelos músicos, sempre muito claras (e realçadas pela nitidez acústica do som que vaza do palco), ajudaram a dar leveza e groove ao som. Os instrumentos e a performance de Juldeh foram marcantes, remetendo não apenas ao afro-oriente, mas também ao repente nordestino”.



E digo mais: músicos como Peter Gabriel, David Byrne, Sting e tantos outros pisaram nesse território de diversidade e globalidade musical. Algumas vezes acertaram o alvo, outras tantas não. Plant parece ter encontrado a medida certa dessa musicalidade. Tanto que, em dado momento, um clássico do Led pode ser desconstruído e desfigurado – é o caso da versão de “Black Dog”. Já “Ramble On”, “Friends”, “Four Sticks” e “Going To California” deixam os fãs em êxtase com o espelhamento nas originais. E mesmo quando não revisita os clássicos de sua banda, há momentos em que o Led surge reencarnado no palco.

Foto: Fábio Codevilla
É a sensação que tive quando ouvi “Funny in my mind (I believe I’m fixing to die)”, tema do bluesman Bukka White que não deve nada às releituras que Page e Plant faziam dos blues empoeirados da era de ouro do gênero. Há instantes em que essa reencarnação se materializa na postura do cantor frente a banda, fazendo malabarismos com o pedestal de microfone, pela expressão de seu rosto enrugado ou pela sua ostensiva juba de leão. Impossível não se lembrar do Zep. Plant ainda tem muita lenha pra queimar, é claro que a voz do homem não possui a mesma potência, no entanto a escolha do repertório joga a seu favor.



“Mighty Rearranger”, álbum lançado pelo artista em 2005, é o trabalho solo que mais fornece lenha para seu repertório atual (são cinco temas). Esse é um daqueles discos que merecem uma revisão dos ouvintes mais atentos. Não tenha dúvida, a chave da atual “sonoridade Plant” está nesse trabalho. O interessante foi ver um dos gigantes do rock mundial encerrando o tour nacional com semblante de contentamento, interagindo com a banda e com um público caloroso – em um Gigantinho lotado (cerca de 10 mil pessoas). Teve até “parabéns a você” em português para um amigo de Plant. Foi uma noite especial, uma noite em que voltei a 1985, ano em que descobri o Led Zeppelin no filme “The Song Remains The Same” (ou “Rock é rock, mesmo”, como foi ridiculamente batizado por aqui).

Foto: Fábio Codevilla
Se você é um daqueles que torcem o nariz com a fase atual do vocalista e ainda sonha com a volta do Led Zeppelin, tenho um remédio: hoje acontece a primeira sessão de “Celebration Day”, filme/concerto do LZ, que ocorreu em 2007, no O2 Arena. Corre até o Cinemark do Barra Shoppping Sul, parece que ainda há ingressos à venda. Serão apenas duas sessões em solo gaúcho.

De toda forma, uma coisa é certa: Porto Alegre nunca teve uma semana mais Zeppeliana.

Confira o setlist:


01 Tim Pan Valley (Mighty Rearranger) – 2005
02 Another Tribe (Mighty Rearranger) – 2005
03 Friends (Led Zeppelin III) – 1970
04 Spoonful – releitura de Willie Dixon
05 Somebody Knocking (Mighty Rearranger) – 2005
06 Black Dog – (Led Zeppelin IV) – 1970
07 All The King Horses (Mighty Rearranger) – 2005
08 Bron-y-aur Stomp (Led Zeppelin III) – 1970
09 The Enchanter (Mighty Rearranger) – 2005
10 Four Sticks (Led Zeppelin IV) – 1971
11 Ramble On (Led Zeppelin II) – 1969
12 Fixing To Die –releitura de Bukka White (Dreamland) – 2005
13 Whole Lotta Love + medley com Who Do You Love, Steal Away e Bury My Body – (Led Zeppelin II) – 1969

Bis
14 Going To California (Led Zeppelin IV) – 1971

15 Rock and Roll (Led Zepplein IV) – 1971

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ÚLTIMA COBERTURA:

BON JOVI - PORTO ALEGRE, 19 DE SETEMBRO DE 2017

Foto: BJA Por Márcio Grings Impossível não afirmar que o Bon Jovi sobreviveu ao teste do tempo. Por mais que suas músicas não estejam...